As ações da Braskem renovaram a mínima do ano nesta quinta-feira (18), com queda de quase 12% em um único pregão.
A pressão veio de duas frentes simultâneas: o impasse nas negociações de reestruturação da dívida com credores e a decisão da Justiça Federal em Alagoas de tornar a empresa e ex-dirigentes réus pelo desastre socioambiental em Maceió.
Analistas do UBS BB alertaram que as incertezas sobre a capacidade da companhia de honrar obrigações de curto prazo devem continuar gerando volatilidade nas ações, mesmo com um ambiente de margens mais favorável para o setor petroquímico.
Credores travam proposta de reestruturação extrajudicial
A Bloomberg revelou na quarta-feira que a Braskem e o IG4 Capital — novo controlador após a saída da Novonor — não obtiveram apoio suficiente dos credores para avançar com a reestruturação extrajudicial das dívidas.
As resistências têm frentes distintas: parte dos credores considera que os termos favorecem determinados grupos em detrimento de outros. Há também questionamentos sobre as garantias oferecidas e a ausência de mecanismo que permitisse converter parte da dívida em participação acionária na companhia.
O impasse ocorre menos de dez dias após os acionistas elegerem nova liderança para a companhia: em junho, Magda Chambriard assumiu o conselho e Helcio Tokeshi a presidência executiva, na esteira da venda do controle pela Novonor ao IG4 Capital. Fontes ouvidas pela revista Veja afirmam que a empresa descarta recorrer à recuperação judicial e segue buscando acordo com os credores.
No início do mês, acionistas aprovaram mudanças no estatuto que ampliam os poderes do conselho de administração: o colegiado poderá deliberar sobre recuperação extrajudicial e, em situações de urgência, sobre recuperação judicial ou até confissão de falência.
Frente judicial acrescenta risco de imagem
A decisão da Justiça Federal em Alagoas adicionou nova camada de pressão sobre os papéis. O tribunal tornou a Braskem e ex-dirigentes réus em processo que apura responsabilidades pelo desastre socioambiental em Maceió, episódio que forçou a evacuação de bairros inteiros e deixou milhares de famílias desabrigadas.
Para o UBS BB, a decisão pode intensificar as preocupações dos investidores com riscos jurídicos e danos à imagem da companhia. A recomendação da casa permanece neutra: os analistas acreditam que a Braskem pode superar os desafios no médio e longo prazo, mas que as incertezas ao longo do caminho justificam cautela.
O contraste com outras grandes reestruturações do setor é direto: enquanto a Raízen obteve em junho o aval dos credores para reestruturar R$ 64,7 bilhões em dívidas via recuperação extrajudicial, a Braskem segue sem conseguir o mesmo tipo de apoio para sua própria proposta de renegociação.
