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Cade libera American Airlines para ficar com 8% da Azul, mas impõe limites à governança

Aporte de US$ 100 milhões vem por bônus de subscrição com voto; ampliar a fatia terá de voltar à análise do órgão
American Airlines participação Azul aprovada pelo Cade com restrições de governança

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou com restrições a entrada da American Airlines no capital da Azul: a companhia norte-americana pagará cerca de US$ 100 milhões por uma participação equivalente a aproximadamente 8% do capital social da empresa brasileira.

A autorização vem acompanhada de travas que limitam o acesso da American a informações estratégicas e o tamanho de sua influência na gestão da Azul.

O que o Cade permitiu — e o que travou

A participação será adquirida por meio de uma operação de bônus de subscrição com direitos de voto. Para liberar o desenho, o tribunal firmou um Acordo de Controle de Concentrações que restringe a troca de informações sensíveis e a influência da norte-americana na administração da companhia brasileira.

Qualquer aumento relevante da fatia ou ampliação dos direitos políticos e de governança da American terá de passar por nova análise do órgão. A preocupação se concentra nas rotas entre Brasil e Estados Unidos, onde as duas empresas têm atividades relacionadas.

Mesmo com as ressalvas, o Cade concluiu que a operação não equivale a uma fusão nem elimina uma concorrente do mercado. Antes do julgamento no tribunal, a Superintendência-Geral já havia avaliado que o investimento não apresentava risco concorrencial capaz de impedir a Azul de disputar o mercado doméstico.

Em comunicado aos acionistas, a Azul afirmou esperar a publicação da decisão “nos próximos dias”, seguida pela implementação de acordos comerciais com a American que também foram objeto da aprovação. Os termos desses contratos não foram divulgados pela companhia.

Dinheiro novo depois do Chapter 11

O cheque da American chega meses depois de a Azul encerrar, em fevereiro, sua recuperação financeira nos Estados Unidos — o Chapter 11, mecanismo semelhante à recuperação judicial brasileira, cujas audiências acompanhavam a reestruturação da dívida da companhia desde 2025.

American e United Airlines haviam se comprometido a investir US$ 100 milhões cada na Azul, US$ 200 milhões no total. O aporte da United foi feito por meio de uma oferta de ações; o da American é que dependia do aval dos órgãos de defesa da concorrência.

Segundo a Azul, a reestruturação reduziu em cerca de US$ 2,5 bilhões suas obrigações financeiras e de arrendamento de aeronaves. O plano também previa US$ 950 milhões em compromissos de novos aportes de capital.

O movimento ganha outro contorno quando se lembra que, poucos meses antes, o acordo de fusão entre Azul e Gol havia sido encerrado, o que empurrou a brasileira a buscar outras fontes de capital. A American avalia que integrar as duas redes pode ampliar as opções de conexão entre Estados Unidos, Brasil e outros países da América do Sul — e fez questão de registrar que a Gol continua parceira importante em sua operação regional.