A Azul Linhas Aéreas confirmou nesta sexta-feira (26) que irá honrar todas as passagens emitidas em codeshare com a Gol, mesmo após o fim das negociações de fusão entre as empresas.
O anúncio ocorre após o Grupo Abra, controlador da Gol, comunicar o encerramento das tratativas, destacando mudanças no cenário e falta de avanços significativos.
A Azul também reiterou seu foco no fortalecimento da estrutura de capital diante do novo contexto do setor aéreo brasileiro.
Encerramento das negociações de fusão
Na quinta-feira (25), o Grupo Abra notificou oficialmente a Azul sobre o término das discussões para uma possível fusão entre as companhias aéreas. Segundo comunicado da Gol, a decisão decorreu do “não avanço das negociações”. O grupo destacou que, desde a assinatura do Memorando de Entendimentos em 15 de janeiro de 2025, manteve-se disponível para avançar nas conversas, mas “as partes não tiveram discussões significativas”.
O Grupo Abra também mencionou que o cenário mudou desde o memorando e o pré-arquivamento junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), indicando que o contexto das empresas já não é o mesmo. Mesmo com as tratativas ocorrendo em paralelo ao processo de recuperação judicial (Chapter 11) da Azul nos Estados Unidos, não houve progresso relevante. “Como resultado, por boa ordem e conforme o acordo de confidencialidade, através da presente, a Abra apresenta notificação por escrito à Azul de que está encerrando as discussões com relação a uma possível transação”, detalhou o grupo.
Impacto nos acordos de codeshare
O Grupo Abra também comunicou a solicitação de rescisão dos acordos de codeshare firmados em maio de 2024, que visavam conectar as malhas aéreas das duas empresas no Brasil. Apesar do encerramento da parceria, a Gol garantiu que irá honrar todos os bilhetes já comercializados no âmbito do acordo, mantendo seu compromisso com os clientes. “A Gol continua focada na excelência no atendimento de seus clientes, contando com 147 rotas domésticas e 42 rotas internacionais”, informou a companhia.
Perspectivas e declarações sobre o futuro
Em entrevista concedida ao g1 em janeiro deste ano, John Rodgerson, CEO da Azul, afirmou que enxergava no acordo com a Gol uma oportunidade de fortalecimento e crescimento para superar os desafios do mercado brasileiro. “Nós estamos olhando uma fusão de crescimento. Crescer o mercado brasileiro, isso que nós queremos fazer. Nós temos inflação aqui no Brasil, e sem crescimento, a inflação te mata. Sem reduzir custos, a inflação te mata”, declarou Rodgerson.
O executivo avaliava que a união das empresas poderia criar um player relevante, capaz de negociar melhor com grandes concorrentes e ampliar a atuação no país. “Nossos clientes vão poder fluir. Eu [Azul] tenho pouca porcentagem em Congonhas e Guarulhos, em Brasília e no Rio, mas agora vamos ter a possibilidade de conectar o Brasil inteiro com uma passagem”, projetou o CEO.
Com o fim das negociações, a Azul volta a priorizar o fortalecimento de sua estrutura de capital, enquanto a Gol mantém o foco na ampliação e excelência de seus serviços, preservando os compromissos assumidos com os passageiros.