Esporte

Conselho do Vasco aprova venda de 90% da SAF a grupo de Marcos Lamacchia

Operação depende de Assembleia Geral e chega com parecer que aponta falta de mecanismos de saída para o clube
Marcos Lamacchia aparece com a camisa do Vasco em imagem sobre a venda da SAF do Vasco

O Vasco da Gama deu o passo decisivo para entregar o controle do seu futebol a um investidor privado. O Conselho Deliberativo aprovou na terça-feira (6), na Sede Náutica, as mudanças no estatuto que destravam a venda da SAF do clube.

Na sequência, os conselheiros autorizaram a transferência de 90% da Sociedade Anônima do Futebol à Almirante Participações, empresa ligada ao empresário Marcos Lamacchia. A operação ainda precisa ser submetida à Assembleia Geral.

O placar dá a dimensão do apoio interno ao negócio. Compareceram 211 dos 295 conselheiros aptos a votar, e a reforma estatutária passou com 172 votos favoráveis, 34 contrários e 5 abstenções.

A venda em si teve margem parecida: 175 votos a 26, com 3 abstenções, para repassar 90% da SAF à Almirante Participações.

Parecer dos beneméritos liga o alerta

Antes da votação, o presidente do Conselho de Beneméritos, Luis Manuel Fernandes, apresentou um parecer com ressalvas ao contrato. O documento aponta três pontos sensíveis: a ausência de mecanismos claros para o clube deixar a operação, a possibilidade de o investidor interferir na escolha do representante do Vasco no Conselho de Administração da SAF e o caráter definitivo da transferência das ações.

Segundo Fernandes, os contratos não estabelecem caminhos suficientes para o clube encerrar ou revisar sua participação em caso de descumprimento de obrigações, mudança nas condições econômicas do negócio ou perda de capacidade financeira do investidor.

“Estou tocando na essência da questão. Isso é um ponto de alerta aqui para os conselheiros e para os sócios do clube que irão deliberar sobre a matéria: a inexistência de mecanismos adequados de saída, caso isso seja de interesse do clube, caso haja descumprimento de compromissos”, afirmou.

Decisão final fica com os sócios

O aval do Conselho Deliberativo não encerra o processo. A venda precisa passar pela Assembleia Geral, instância em que o quadro social delibera sobre o negócio. Até lá, o contrato segue tal como foi apresentado aos conselheiros.

É nessa etapa que as ressalvas dos beneméritos tendem a voltar à mesa. O ponto mais delicado é o da porta de saída: pelo parecer, o clube não tem hoje caminho contratual nítido para rever sua posição se o comprador descumprir compromissos ou perder capacidade financeira.

Somada ao caráter definitivo da transferência das ações, a previsão de participação do investidor na indicação do representante vascaíno no Conselho de Administração da SAF concentra no novo controlador as decisões sobre a companhia — exatamente o desenho que os 26 votos contrários à operação questionaram na sessão.