Política

Lista suja do trabalho escravo ganha 82 nomes após resgate de 553 trabalhadores

Estado de Rondônia e empresa da Miss Mato Grosso 2024 entram no cadastro; Minas Gerais lidera com 19 registros
Trabalhadores em primeiro plano e sede do Ministério do Trabalho ao fundo, remetendo à lista suja do trabalho escravo

O governo federal incluiu 82 empregadores na “lista suja” do trabalho escravo nesta terça-feira (6), atualização do cadastro que reúne quem submeteu pessoas a condições análogas à escravidão. Os casos que motivaram as inclusões resultaram no resgate de 553 trabalhadores.

Entre os nomes figuram o Estado de Rondônia e uma empresa de propriedade da Miss Mato Grosso 2024. Minas Gerais concentrou o maior volume de inclusões, com 19 empregadores.

Ritmo de inclusões cai pela metade

A leva é 51,48% menor que a divulgada em abril, quando o cadastro recebeu 169 nomes, entre eles a montadora BYD e o cantor Amado Batista. Dos 82 empregadores agora listados, 54 são pessoas físicas e 28, empresas.

Os casos ocorreram entre 2024 e 2026 e se espalham por 21 unidades da Federação. A mesma atualização retirou 151 empregadores que cumpriram os dois anos de permanência previstos na regra.

Pecuária, carvão e café concentram os casos

A criação de bovinos para corte lidera as inclusões, com oito empregadores, seguida por serviços domésticos (sete), produção de carvão vegetal (seis), produção de café (seis) e construção de edifícios (cinco).

O perfil das atividades ajuda a explicar a liderança mineira: lavouras de café no estado já haviam rendido o resgate de 59 trabalhadores em 2025, e Minas respondeu por 43% dos resgates do país em agosto.

Quem entrou

A inclusão do Estado de Rondônia decorre do resgate de dois trabalhadores em junho deste ano. Também aparece a T. F. Zimpel Ltda., de Taiany França Zimpel, eleita Miss Mato Grosso em 2024, responsável pela contratação de 20 resgatados em setembro do ano passado na Fazenda Eliane Raquel e Quinhão, em Nova Maringá (MT).

Em São Paulo, duas churrascarias entraram no cadastro, entre os nomes levantados pelo g1: a Boizao Eventos, após 15 resgates em duas ações em julho, e a Churrascaria Marginal do Tietê, com dois resgatados em maio. No Rio Grande do Sul, Fabiano Stuani foi listado depois que nove pessoas foram retiradas da colheita de uva em Flores da Cunha.

Como funciona o cadastro

Um empregador só é incluído após decisão administrativa definitiva, sem possibilidade de recurso, e permanece dois anos. Uma portaria de julho de 2024 criou saída antecipada — ou mesmo a não inclusão — para quem firma termo de ajustamento de conduta, indeniza as vítimas em pelo menos 20 salários mínimos e investe em programas de apoio aos resgatados. Quem descumpre o acordo ou reincide volta à lista.

Criada em 2003, a divulgação do cadastro enfrentou impasses nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro e ficou suspensa entre 2014 e 2016, até o STF reconhecer sua constitucionalidade. Desde 1995, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel resgatou mais de 70 mil trabalhadores e assegurou mais de R$ 171 milhões em verbas salariais e rescisórias. Denúncias podem ser feitas sem identificação pelo Sistema Ipê.