A Polícia Federal chega ao primeiro turno das Eleições Gerais deste domingo (4) com 1.226 inquéritos eleitorais abertos em 2026. O número cobre janeiro a setembro e consta do painel Casos Eleitorais em Andamento, divulgado pela própria corporação.
Os crimes de papel, e não os de rua, dominam a lista: a falsidade ideológica eleitoral responde por 384 registros e a inscrição fraudulenta de eleitor, por 356. A compra de votos, delito mais associado às campanhas, aparece só em terceiro, com 187 casos.
Setembro concentrou o maior volume de investigações
A curva das apurações acompanhou o calendário eleitoral. Depois de oscilar entre 89 e 143 procedimentos por mês no primeiro semestre, o ritmo voltou a subir em julho e chegou a 234 inquéritos em setembro, o maior volume do ano. É o mês de maior circulação de propaganda, de atos públicos e de denúncias encaminhadas à Justiça Eleitoral e às forças de segurança.
Um mesmo inquérito pode reunir mais de um enquadramento: os 1.226 procedimentos correspondem a 1.596 casos por tipo penal iniciados em 2026. A falsidade ideológica eleitoral, que lidera, trata da inserção de informação falsa em documento destinado à Justiça Eleitoral. Já a inscrição fraudulenta, prevista no artigo 289 do Código Eleitoral, cobre transferências irregulares de título e dados falsos apresentados para obter o cadastro de eleitor.
Rio de Janeiro lidera, com Maranhão e Ceará na sequência
A distribuição é desigual pelo país. O Rio de Janeiro responde por 138 inquéritos abertos no ano, à frente de Maranhão (122) e Ceará (116) — recorte estadual e mensal detalhado na reportagem do g1, assinada por Bianca Muniz.
A compra de votos aparece atrás dos dois crimes documentais, mas vem de uma trajetória de alta acentuada: os inquéritos sobre o crime cresceram quase 20 vezes em uma década, de 117 casos em 2016 para 2.283 em 2024.
R$ 33 milhões apreendidos, R$ 21 milhões em dinheiro vivo
As ações contra irregularidades eleitorais resultaram na apreensão de mais de R$ 33 milhões em bens neste ano, dos quais cerca de R$ 21 milhões em espécie. O volume dá sequência a uma escalada recente: a PF havia confiscado R$ 43 milhões em dez anos de combate a crimes eleitorais, com 2024 batendo o recorde histórico de R$ 28,6 milhões.
Dois recortes fogem do eixo financeiro. A violência política contra a mulher soma 77 investigações, e o desvio ou uso indevido de dinheiro e bens destinados ao financiamento eleitoral, outras 70.
A corporação também mantém monitoramento do ambiente digital, incluindo conteúdos manipulados por inteligência artificial, quando há indícios de ilícitos previstos na legislação eleitoral. No domingo, a atuação será reforçada em todo o país, em parceria com a Justiça Eleitoral e outros órgãos de segurança.