Política

Investigações por compra de votos crescem quase 20 vezes em dez anos no Brasil

Levantamento com dados da PF mostra que crime persiste no interior e atinge quase 30% dos municípios brasileiros
Brasão da Polícia Federal e bandeira do Brasil em composição sobre investigações compra de votos no interior

O número de inquéritos abertos pela Polícia Federal para apurar compra de votos passou de 117 em 2016 para 2.283 em 2024 — crescimento de quase 20 vezes em uma década.

Em dez anos, a PF iniciou mais de 7.600 investigações sobre corrupção eleitoral, média de duas novas apurações por dia. Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação.

Oitenta e cinco por cento dos casos acontecem fora das capitais, em cidades do interior onde a proximidade entre candidatos e eleitores facilita a negociação de vantagens.

Do assistencialismo histórico à investigação em escala

A compra de votos não é fenômeno novo na democracia brasileira. Registros dos anos 1980 já documentavam a prática: em 1982, eleitores em Belém trocavam títulos eleitorais por cartões de Natal na casa de candidatos. Em 1986, o mercado ia de 50 cruzeiros a óculos, remédios e materiais de construção.

O que mudou foi a escala das investigações. A modernização do sistema eleitoral — com urna eletrônica e biometria — não eliminou o problema. Em vez disso, a fiscalização se intensificou e expôs a persistência da prática ao longo das décadas.

Hoje, as vantagens negociadas incluem consultas médicas, atendimento odontológico, exames oftalmológicos, sacos de cimento, botijões de gás, cestas básicas, gasolina e até caixinhas de cerveja. Promessas de empregos públicos e vagas em creches também figuram nos processos.

A concentração de casos no interior tem explicação direta, segundo a procuradora Nathalia Mariel, da Procuradoria-Geral Eleitoral: “Quanto mais localizada é a eleição, mais próximas são as pessoas e é mais fácil a negociação e o oferecimento de vantagem.” A fiscalização se torna ainda mais complexa pela dependência direta entre candidatos e as comunidades locais, onde vínculos afetivos e econômicos dificultam a instrução dos processos.

Casos no Paraná: livro com dinheiro escondido e diária de R$ 100

Dois casos investigados no Paraná ilustram a sofisticação que o crime pode alcançar. Em Goioerê, o vereador Walter Fernandes Martins usava livros de legislação com buracos entre as páginas para esconder dinheiro. Mensagens de celular revelaram que ele gerenciava pedidos de gasolina, alimentos e assistência jurídica em troca de apoio eleitoral. O mandato foi cassado pelo Ministério Público.

Em Moreira Sales, a vereadora mais votada em 2024, Priscilla Albano, foi condenada por usar a estrutura do CRAS para oferecer “diárias” de R$ 100 a famílias vulneráveis, inclusive na fila de entrega de leite. Ela e a assistente social Edina Frasson foram condenadas à cassação e inelegibilidade.

O Artigo 299 do Código Eleitoral enquadra como crime tanto comprar quanto vender o voto. A simples promessa ou o pedido já configuram a infração, mesmo sem comprovação da transação — o que amplia o alcance das investigações.

Em nota, Martins negou as acusações e afirmou ter concluído o sexto mandato enquanto os recursos tramitavam na Justiça. Os representantes de Albano e Frasson não responderam até o fechamento da reportagem.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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