Economia

Desemprego cai a 5,3% e Brasil bate recorde de 103,5 milhões de pessoas ocupadas

Número de desocupados recua a 5,8 milhões e população desalentada encolhe 11,9% em um ano, aponta a Pnad Contínua
Bandeira do Brasil e logo do IBGE simbolizam a taxa de desemprego em agosto, que caiu para 5,3%.

A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, segundo a Pnad Contínua divulgada nesta terça-feira (29) pelo IBGE — 0,3 ponto percentual abaixo do trimestre até maio e do mesmo período de 2025, ambos em 5,6%.

Na mesma leitura, a população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, o maior contingente já registrado na série histórica da pesquisa.

O número de desocupados recuou a 5,8 milhões, 281 mil pessoas a menos do que no trimestre anterior.

Ocupação no maior nível já medido

O avanço da ocupação foi de 0,8% no trimestre, o equivalente a 774 mil pessoas a mais trabalhando, e de 1% em doze meses, um acréscimo de 1,1 milhão. O nível de ocupação — parcela da população em idade de trabalhar que está empregada — subiu para 58,9%, ante 58,6% no trimestre até maio, e ficou praticamente parado na comparação anual, quando marcava 58,8%. A força de trabalho, que soma ocupados e desocupados, também renovou o recorde da série ao chegar a 109,3 milhões de pessoas, com alta de 493 mil no trimestre e de 760 mil em doze meses.

Entre os ocupados, o contingente de empregados do setor privado com carteira assinada, exceto domésticos, chegou a 39,5 milhões, o maior já registrado na série histórica, com estabilidade no trimestre e no ano. Os empregados sem carteira somaram 13,7 milhões, os trabalhadores por conta própria, 26,1 milhões, e os trabalhadores domésticos, 5,5 milhões — todos estáveis nas duas comparações. Já a taxa de informalidade subiu para 37,5% da população ocupada, ou 38,8 milhões de trabalhadores informais, ante 37,3% (38,3 milhões) no trimestre até maio, mas ainda abaixo dos 38% (38,9 milhões) apurados um ano antes.

Também nesta terça-feira (29), o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostram a criação de 165.827 empregos formais em agosto, alta em relação aos 154.827 postos abertos em agosto de 2025 e salto de 183,1% frente a julho, quando o saldo havia somado 58.568 vagas. No acumulado de janeiro a agosto, foram abertas 1.134.033 vagas com carteira assinada, queda de 25,2% frente ao mesmo período do ano passado, quando o saldo somou 1,516 milhão. Já em 12 meses, o saldo permaneceu positivo, com 887,7 mil empregos formais a mais, alta de 1,87%, levando o estoque total a 48,24 milhões de vínculos com carteira assinada. O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.410,74 em agosto — R$ 0,74 abaixo de julho, mas acima dos R$ 2.386,43 registrados um ano antes. Os dois levantamentos não são diretamente comparáveis: o Caged contabiliza apenas vínculos formais, enquanto a Pnad Contínua também capta trabalhadores informais e por conta própria.

Todos os cinco setores pesquisados pelo Caged criaram vagas em agosto. Os Serviços lideraram, com 110,3 mil postos — puxados pela educação (25,4 mil) e pela saúde (19,1 mil) —, seguidos pela Construção civil (20,8 mil), pela Indústria (16,6 mil), pelo Comércio (16,6 mil) e pela Agropecuária (1,5 mil). As cinco regiões do país também tiveram saldo positivo, com o Sudeste (73,2 mil) e o Nordeste (59,4 mil) à frente. Entre os estados, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco foram os que mais contrataram, enquanto Rio Grande do Sul, Rondônia e Espírito Santo fecharam mais postos do que abriram.

O rendimento real habitual de todos os trabalhos ficou em R$ 3.777, estável no trimestre e com alta de 3,7% em doze meses. A massa de rendimento real habitual, de R$ 385,6 bilhões, foi a maior da série histórica, com crescimento de 1,4% (mais R$ 5,2 bilhões) no trimestre e de 4,8% (mais R$ 17,5 bilhões) no ano.

Por setor, os maiores contratantes no trimestre foram a Indústria Geral, que ganhou 265 mil trabalhadores, alta de 2%, e a Construção, com 306 mil pessoas a mais, crescimento de 4,1%. Na comparação anual, o destaque foi Transporte, armazenagem e correio, com alta de 6,1% e 358 mil trabalhadores a mais — os demais setores não apresentaram variações consideradas significativas. Os rendimentos também subiram em algumas categorias frente a 2025: 4% na Indústria, 4,8% no Comércio e 4,6% nos Serviços domésticos; por posição na ocupação, o avanço foi de 2,4% entre os empregados com carteira assinada, 4,6% entre os trabalhadores domésticos e 5,3% entre os trabalhadores por conta própria.

A redução do contingente de desocupados foi de 4,6% em relação aos três meses encerrados em maio, quando o país contabilizava 6,1 milhões de pessoas em busca de trabalho. O patamar de 5,3%, porém, não é novidade: ele já havia sido alcançado no trimestre imediatamente anterior, encerrado em julho.

Subutilização e desalento em baixa

A taxa composta de subutilização ficou em 13,1%, contra 13,3% no trimestre anterior e 14,1% um ano antes. Em números absolutos, são 15 milhões de pessoas subutilizadas — estabilidade na margem e 1 milhão a menos, ou queda de 6,5%, na comparação com o mesmo trimestre de 2025.

Os subocupados por insuficiência de horas, que reúnem quem trabalha menos do que gostaria e está disponível para ampliar a jornada, somam 4,3 milhões: sem variação no trimestre e 286 mil a menos no ano, recuo de 6,2%. Já a população desalentada, de 2,4 milhões, caiu 11,9% em doze meses, o equivalente a 317 mil pessoas, e responde por 2,1% do total.

A trajetória até o recorde

A melhora não veio em linha reta. No trimestre até março, o número de desocupados chegou a subir 19,6% na margem, mesmo com a taxa cravando o menor nível já registrado para aquele período do ano.

A comparação mais longa dá a dimensão do movimento: em julho de 2025, os 5,6% eram tratados como o menor índice desde 2015 — marca agora superada com folga.

Há, no entanto, um contrapeso ao recorde de ocupados. A população fora da força de trabalho somou 66,4 milhões de pessoas, número idêntico ao do trimestre anterior, mas 561 mil maior do que o de um ano atrás, alta de 0,9%. Ou seja: o mercado absorveu mais gente, enquanto o contingente que não trabalha nem procura trabalho seguiu crescendo lentamente.

Outro indicador econômico, porém, seguiu direção oposta no mesmo mês: dados do Banco Central mostraram que a taxa de inadimplência média das operações de crédito subiu para 5% em agosto, o maior patamar desde o início da série histórica, iniciada em março de 2011. Para especialistas ouvidos pelo g1, o dado é um sinal de desaceleração econômica, mesmo com o mercado de trabalho ainda forte, o desemprego em baixa e a renda em crescimento.