Política

Itamaraty diz que América Latina tem mulheres “à altura” da ONU

Após recuo de Bachelet, Brasil ainda não escolheu quem apoiará na disputa pela ONU
Michelle Bachelet e o emblema da ONU representam a disputa por uma mulher no comando da ONU, com o Itamaraty ao fundo

O Itamaraty divulgou nota neste domingo (21) afirmando que a América Latina tem mulheres “à altura” de comandar a ONU, horas depois de a ex-presidente chilena Michelle Bachelet anunciar a desistência de sua candidatura ao posto.

Bachelet abandonou a disputa no sábado (19), depois de perder o apoio do governo do Chile. Sua campanha, lançada sob a gestão de esquerda de Gabriel Boric, perdeu sustentação após a chegada de Antonio Kast, de direita, à Presidência em março.

Com a saída chilena, Brasil e México, que bancavam a candidatura, ficam sem nome definido para apoiar na disputa pelo comando da ONU.

A nota do Itamaraty não indica quem o Brasil passa a apoiar na corrida pela Secretaria-Geral. Segundo integrantes da diplomacia brasileira, ainda não há um nome definido para substituir Bachelet, mas o governo já sinalizou o perfil que pretende priorizar.

Conforme o texto, o critério será apoiar alguém comprometido com os princípios da ONU, incluindo paz e segurança. Em nota, o Itamaraty destacou ainda a parceria com o governo mexicano: “O governo brasileiro manifesta seu agradecimento ao governo mexicano pela inédita coordenação conjunta no desenvolvimento da campanha e reitera seu compromisso com a seleção transparente e inclusiva de um(a) Secretário(a)-Geral comprometido(a) com um multilateralismo baseado no direito internacional e com os três pilares da Carta da ONU: paz e segurança, direitos humanos e desenvolvimento sustentável”.

O apoio a Bachelet havia sido formalizado por Brasília em março, durante a maior cúpula internacional de gênero da ONU, com o argumento de que a organização nunca teve uma mulher no comando em mais de 80 anos de existência. Em maio, Lula chegou a recebê-la pessoalmente no Palácio do Planalto, selando um compromisso diplomático que agora precisa ser redirecionado.

Lula está em Nova York para discursar nesta terça-feira no debate-geral da Assembleia Geral da ONU. Segundo apuração do g1 junto a interlocutores do presidente, ele deve usar o discurso para reforçar críticas a investidas dos Estados Unidos, mas sem citar diretamente o nome do presidente Donald Trump, optando por uma linguagem mais polida para evitar embates diretos com outros chefes de Estado.

O sucessor de Bachelet na disputa sairá de um processo conduzido pelo Conselho de Segurança, que recomenda um nome à Assembleia Geral para um mandato de cinco anos, com direito a uma reeleição. O atual secretário-geral, António Guterres, deixa o posto em 31 de dezembro após dois mandatos. Já em abril, durante as sabatinas oficiais realizadas em Nova York, o Itamaraty já articulava a estratégia de emplacar o primeiro secretário-geral latino-americano da história da ONU.

Uma votação do Conselho de Segurança em agosto apontou como favorita a ex-chanceler da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett, com oito votos a favor.