O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta segunda-feira (11), às 15h30, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet no Palácio do Planalto, em Brasília.
O encontro acontece em meio à disputa pela sucessão na secretaria-geral da ONU, cujo posto será desocupado pelo português António Guterres ao fim de 2026.
Bachelet figura entre os principais nomes na corrida ao cargo e conta com apoio formal do Itamaraty desde fevereiro.
Quem é Bachelet e por que o Brasil a apoia
Médica e socialista, Michelle Bachelet governou o Chile em dois mandatos — entre 2006 e 2010 e novamente de 2014 a 2018 — e, no cenário multilateral, comandou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. Nesse papel, criticou ataques a instituições democráticas em diferentes países e defendeu transparência eleitoral, inclusive no Brasil.
Com trânsito consolidado entre líderes da esquerda latino-americana e experiência em organismos internacionais, ela é vista pelos aliados do Palácio do Planalto como um nome de peso para a sucessão. Desde fevereiro, quando o Itamaraty formalizou o apoio à ex-presidente chilena, o Brasil articula ativamente a candidatura de Bachelet no plano diplomático.
O processo de escolha e os obstáculos
O novo secretário-geral da ONU começa a ser definido em 2026 e assume o cargo em 1º de janeiro de 2027, por um mandato de cinco anos. A escolha passa primeiro pelo Conselho de Segurança — que indica um nome para votação na Assembleia Geral —, com possibilidade de veto dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
No Chile, porém, a candidatura de Bachelet não é consenso. O atual presidente chileno, José Antonio Kast, ligado à direita, já sinalizou resistência e retirou o apoio ao nome da ex-presidente, mesmo sendo ela cidadã chilena.
Em 80 anos de existência, a ONU teve nove secretários-gerais — todos homens. Nos bastidores diplomáticos, cresce a avaliação de que a próxima sucessão pode abrir espaço, pela primeira vez, para uma mulher no comando da organização, cenário que fortalece nomes como o de Bachelet.
A reunião desta segunda também carrega um significado mais amplo para a política externa do governo Lula. Em contexto de críticas crescentes à arquitetura do Conselho de Segurança — em abril, Lula chegou a chamar seus cinco membros permanentes de ‘senhores de guerra’ durante evento em Barcelona —, o Planalto defende maior representatividade para países do Sul Global.
A chegada de um nome da América Latina ao principal cargo da ONU é vista por aliados do governo como um passo simbólico nessa direção. Ao todo, quatro candidatos disputam a posição que Guterres deixará ao fim do ano.