Heba Aly, diretora da Coalizão para a Reforma da Carta da ONU, está no Brasil em busca de apoio para mudanças na organização. Ela afirma que, se a Carta da ONU não for reescrita, a entidade pode deixar de existir. O Brasil já defende a reforma e apresentou proposta na abertura da reunião ministerial do G20 em Nova York, em 2023.
O debate sobre a reforma é impulsionado pela percepção de que a estrutura criada em 1945 não reflete mais as realidades atuais. Aly cita a incapacidade da ONU em deter guerras recentes como exemplo da necessidade urgente de mudanças.
Cenário atual e críticas à estrutura da ONU
Segundo Heba Aly, a frustração de muitos países decorre do domínio de cinco nações vencedoras da Segunda Guerra Mundial, que não representam as potências de hoje. Ela destaca que o sistema de segurança global falhou diante de conflitos como Ucrânia e Gaza, ilustrando a urgência da reforma.
Entre as propostas discutidas estão a eleição mais transparente do Secretário-Geral, maior participação da sociedade civil e a criação de uma assembleia parlamentar da ONU, inspirada no Parlamento Europeu. Aly lembra que a Carta começa com “Nós, os povos”, mas as pessoas comuns têm pouca influência nas decisões.
Desafios e oportunidades para a reforma
A diretora reconhece o ambiente polarizado, mas acredita que a crise atual pode impulsionar mudanças. Ela afirma: “Você não conserta algo a menos que haja um problema. E estamos com um grande problema agora.” Para Aly, é fundamental mostrar como uma governança global reformada pode melhorar a vida cotidiana, citando o exemplo da gestão climática para agricultores.
Ela enfatiza que reformar a ONU é uma forma de salvá-la e aproximá-la das pessoas, tornando-a relevante para a sociedade.
Próximos passos e perspectivas
Para Heba Aly, o momento é decisivo: “Estamos testemunhando a ordem internacional desmoronar diante de nossos olhos.” Ela ressalta que o medo de mudanças diminuiu diante da ineficácia atual da ONU: “Se não a reescrevermos, a ONU morrerá.”
A Coalizão para a Reforma da Carta da ONU busca ativar o Artigo 109, que prevê uma conferência de revisão nunca realizada desde 1945. Aly destaca que a ONU foi criada para evoluir, mas o mecanismo de revisão permanece inexplorado mesmo no 80º aniversário da organização.
Está prevista uma reunião ministerial na Assembleia Geral da ONU em setembro, reunindo Estados-membros comprometidos com a reforma. O objetivo é traçar estratégias e lançar um grupo de amigos dedicado ao avanço da pauta.
Aly defende uma ONU eficaz e equitativa, capaz de prevenir crises e agir diante de tragédias. Ela provoca: “Se reconhecemos que a instituição atual não funciona, o que precisamos fazer para criar o sistema do futuro e como começar agora?”