O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (20) para Nova York, onde participa da 81ª Assembleia Geral da ONU. Ele deve abrir a sequência de discursos nesta terça-feira, mantendo a tradição brasileira que dura desde 1955.
Na agenda, o petista se reúne com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e tem encontro breve com o secretário-geral António Guterres. Também há chance de um contato informal com Donald Trump nos corredores do evento.
Agenda apertada e mais de 30 pedidos de reunião
O governo brasileiro informou que Lula recebeu ao menos 30 pedidos de encontros bilaterais com chefes de Estado durante a passagem por Nova York. Por falta de espaço na agenda e pela logística de segurança na região da Assembleia, porém, o presidente deve atender apenas parte desses pedidos.
Por tradição consolidada desde 1955, o Brasil sempre abre os discursos da Assembleia Geral — prática que se repete nesta 81ª edição, presidida pelo chanceler de Bangladesh Khalilur Rahman sob o tema ‘Restaurando a confiança e administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos’.
Depois de cumprir os compromissos na cidade, Lula retorna ao Brasil, mas o chanceler Mauro Vieira permanece em Nova York ao longo da semana para representar o país em reuniões do Conselho de Segurança — entre elas uma dedicada à situação na Palestina — e em eventos sobre direito internacional.
No discurso de terça-feira, auxiliares indicam que Lula deve reforçar bandeiras tradicionais da política externa brasileira, como multilateralismo e defesa da democracia, além de tratar do combate ao crime organizado e da cooperação internacional contra facções como o PCC — sem citar diretamente Estados Unidos, Donald Trump ou episódios recentes.
Segundo interlocutores do presidente, o texto deve trazer recados sobre soberania e tentativas de interferência eleitoral, mirando não só os EUA, mas também países como Argentina e Israel, sempre em tom considerado ‘polido’ para evitar desgastes diplomáticos.
Reforma do Conselho de Segurança e sucessão na ONU
Lula deve repetir a defesa da reforma do Conselho de Segurança da ONU, hoje composto por cinco membros permanentes com poder de veto — Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França — e dez rotativos. Para o presidente, o modelo atual falha em evitar guerras que envolvem os próprios membros permanentes e trava soluções pacíficas. Ele defende a ampliação do colegiado com novos assentos fixos para países como Brasil, Japão, Alemanha e África do Sul.
A edição também vai definir o sucessor de Guterres à frente da ONU. Seguindo o critério de rotatividade regional e de gênero, o Brasil apoia a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, nome que precisa ser indicado pelo Conselho de Segurança antes de ir à votação da Assembleia Geral.
A expectativa de um cruzamento entre Lula e Trump ecoa o que ocorreu no encontro em Nova York no ano passado, quando o republicano chegou a elogiar a ‘química excelente’ com o brasileiro após a 80ª Assembleia, realizada sob forte tensão bilateral por causa de tarifas e sanções a autoridades do STF.