Economia

Dólar abre em queda nesta segunda com recuo do petróleo no radar

Mercado também aguarda encontro entre Trump e Xi Jinping e IPCA-15 desta semana
Barris de petróleo em refinaria com Trump e Xi Jinping ao fundo, contexto do dólar cai hoje petróleo

O dólar abriu a sessão desta segunda-feira (21) em queda de 0,18%, cotado a R$ 5,1349 por volta das 9h, em dia marcado pelo recuo dos preços do petróleo e pela expectativa em torno do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, previsto para quinta-feira.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia os negócios às 10h, em uma semana de agenda cheia, com destaque para o IPCA-15 no Brasil e novos dados de atividade nos Estados Unidos e na Europa.

Petróleo recua após mediação da China

A queda nos preços do petróleo neste início de semana está diretamente ligada a uma movimentação diplomática: no sábado (19), a China atendeu a um pedido da Arábia Saudita e solicitou ao Irã que limitasse os ataques dos rebeldes houthis à infraestrutura petrolífera saudita, que ameaçam uma segunda rota de exportação da commodity no Oriente Médio.

O alívio se soma à sinalização, na semana passada, de que a Arábia Saudita ofereceria cargas adicionais de petróleo por rotas alternativas e buscaria restaurar cerca de metade da capacidade do seu oleoduto Leste-Oeste, interrompido por ataques de drones.

As tensões no Oriente Médio, porém, continuam no radar do mercado. O conflito entre Estados Unidos e Irã segue reduzindo as chances de reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do comércio global de petróleo antes da guerra na região. No domingo (20), em entrevista à emissora Fox News, Trump disse que ainda decidia se “explodiria o Irã inteiro ou não”, declaração que reacende o temor de uma retomada de bombardeios em larga escala. Há menos de um mês, os dois países já haviam protagonizado uma escalada semelhante no Estreito de Ormuz, com ataques dos EUA a lançadores na Ilha de Larak e retaliação iraniana contra bases americanas na Jordânia.

Cúpula entre Trump e Xi Jinping mira trégua comercial e disputa por IA

Além da possível prorrogação da trégua comercial firmada entre EUA e China no ano passado, o encontro de quinta-feira deve tratar de inteligência artificial. Washington restringe o acesso chinês a semicondutores avançados considerados estratégicos, enquanto Pequim acusa os EUA de tentar limitar seu desenvolvimento tecnológico; questões envolvendo Taiwan também podem entrar na pauta.

Bolsas da Ásia sobem à espera da trégua comercial

A maioria dos mercados acionários da Ásia fechou em alta nesta segunda-feira, refletindo a expectativa de que Trump e Xi Jinping prorroguem a trégua comercial entre os dois países. O SSEC, de Xangai, subiu 1,0%, e o CSI300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, avançou 0,7%. O Hang Seng, de Hong Kong, ganhou 1,2%, e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 1,65%. O Nikkei, do Japão, permaneceu fechado.

A expectativa de uma nova prorrogação tem raízes no encontro entre os dois líderes em maio, quando já sinalizavam um entendimento para evitar um grande choque na economia global, período em que o conflito no Oriente Médio pressionava o petróleo para acima de US$ 100.

No Brasil, o mercado também acompanha a divulgação do IPCA-15, prevista para sexta-feira e considerada a prévia da inflação oficial, além da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que sai ao longo da semana.