Economia

Brasil ganha fatia da cota uruguaia de carne na China após esgotar limite

Declaração de Lula chega com os frigoríficos já no teto de 1,1 milhão de toneladas e a sobretaxa de 55% no horizonte
Corte de carne bovina simboliza a ampliação da cota de carne bovina China para exportações do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (21) que o Uruguai cedeu ao Brasil parte da cota que o país vizinho tem para exportar carne bovina à China.

O anúncio chega em um momento específico do calendário comercial: os frigoríficos brasileiros já completaram o volume anual que a China reserva ao Brasil em condições normais de tarifa.

Desde janeiro de 2026, a China limita quanto de carne bovina pode comprar de cada fornecedor. A regra define um volume anual por país que entra no mercado chinês pagando a tarifa normal de importação, de 12%.

O que ultrapassa esse teto sofre uma tarifa adicional de 55%, sobretaxa que na prática inviabiliza o embarque. O sistema de cotas por país foi instituído para proteger a pecuária chinesa e já ameaçava reduzir em até 10% as exportações brasileiras neste ano.

A maior cota foi também a primeira a acabar

O Brasil recebeu o maior volume entre todos os exportadores: cerca de 1,106 milhão de toneladas em 2026. O calendário prevê aumento gradual, para 1,128 milhão em 2027 e 1,151 milhão em 2028.

Ser o maior cotista, porém, não impediu o esgotamento antecipado. Com o limite cumprido, cada nova tonelada embarcada passaria a carregar os 12% da tarifa comum somados aos 55% adicionais.

É daí que vem o peso de herdar espaço alheio: a transferência de parte da cota de outro país amplia o volume que pode ser vendido à China sem a sobretaxa, sem depender de qualquer mudança na regra geral imposta por Pequim.

Por que o Uruguai tinha espaço para ceder

Procurada pelo g1, a Abiec, associação que representa os frigoríficos exportadores, não se manifestou sobre o acordo.

Uma análise da StoneX já apontava em julho que Argentina, Uruguai e Estados Unidos mantinham folga relevante em suas cotas enquanto o Brasil raspava a sua — cenário que ajuda a entender de onde sai o volume agora repassado.

Lula não detalhou o tamanho da fatia cedida nem o prazo de validade da transferência. Sem esses números, o setor ainda não tem como calcular quantas toneladas adicionais poderá embarcar até dezembro fora do alcance da tarifa extra.