Negócios

Frigoríficos cortam abates após Brasil usar 98,5% da cota de carne bovina à China

Com janela de exportação quase fechada, indústria aguarda o quarto trimestre e a abertura da cota de 2027
Bandeiras de Brasil e China em collage editorial simbolizando o limite da cota de carne bovina à China

O Brasil consumiu 98,5% da cota de exportação de carne bovina à China no primeiro semestre de 2026. O resultado levou frigoríficos a reduzirem os abates, segundo análise da StoneX divulgada nesta segunda-feira (6).

A China concede ao Brasil uma cota de 1,1 milhão de toneladas com isenção da tarifa de 55% imposta ao excedente — proteção ao produtor doméstico chinês. Com os embarques acumulados desde novembro de 2025, o saldo restante deve se esgotar em agosto.

Levando em conta apenas os desembarques efetivos em solo chinês, o Brasil havia preenchido 72% da cota até 30 de junho. O intervalo de cerca de 45 dias entre o embarque no Brasil e a chegada ao país projeta o esgotamento do saldo para agosto.

A reação imediata da indústria foi frear as compras de gado. “Há uma expectativa de maior oferta no mercado interno, também possibilidades de remanejamento de oferta, mas a primeira reação da indústria foi diminuir os abates”, afirmou Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Semestre recorde, freio no terceiro trimestre

O desempenho contrasta com o balanço do primeiro semestre de 2026: as exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 1,705 milhão de toneladas embarcadas e US$ 9,85 bilhões em receita — um recorde histórico, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Parte da aceleração decorreu da antecipação dos embarques motivada pelas cotas definidas para o ano.

Argentina, Uruguai e Estados Unidos ainda dispõem de espaço relevante em suas respectivas cotas junto à China. A StoneX, porém, pondera que há dúvidas sobre a capacidade desses países de preenchê-las, dada a disponibilidade mais limitada de produto para exportação.

A perspectiva para o setor é de retomada no quarto trimestre. A StoneX estima que os embarques brasileiros à China devem voltar a crescer a partir de outubro, com o início do ciclo da cota de 2027. No intervalo, espera-se um aumento temporário da oferta no mercado interno, o que pode pressionar os preços pagos ao pecuarista ao longo do terceiro trimestre.

Já na semana passada, a proximidade do teto da cota chinesa levava frigoríficos a recuar na compra de bois para abate, derrubando o preço médio da arroba de R$ 344 para R$ 332 em apenas dez dias — movimento que agora se confirma com os dados da StoneX. Saiba como a cota de exportação para a China empurrou o preço do boi gordo para baixo.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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