Economia

China libera três frigoríficos brasileiros após 14 meses de suspensão

JBS, Frisa e Bon-Marte voltam a embarcar carne ao principal destino do agronegócio após reunião em Pequim
Instalação industrial JBS representa retomada exportações carne bovina China após 14 meses de restrições comerciais

A China autorizou nesta quarta-feira (20) a retomada dos embarques de carne bovina de três frigoríficos brasileiros bloqueados desde março de 2025. O anúncio foi feito pela Abiec após reunião entre autoridades dos dois países em Pequim.

As unidades liberadas são a planta da JBS em Mozarlândia (GO), a da Frisa em Nanuque (MG) e a da Bon-Marte em Presidente Prudente (SP). A confirmação veio de Roberto Perosa, presidente da Abiec, à agência Reuters.

Os três frigoríficos foram suspensos pela Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) por “não conformidade” com os “requisitos chineses para o registro de estabelecimentos estrangeiros”. À época, o órgão não detalhou quais critérios estavam sendo avaliados nem o que estaria fora do padrão exigido.

A liberação ocorre durante visita do ministro da Agricultura, André de Paula, ao país asiático. Nomeado no fim de março, Paula integra as negociações que resultaram na reautorização dos três estabelecimentos.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e tem na China seu principal destino comercial. A manutenção do acesso ao mercado chinês é estratégica para o setor e para a balança comercial do país.

A retomada chega em momento crítico: o Brasil já consumiu metade da cota de importação isenta de impostos que a China estabeleceu para 2026, com risco de tarifa de 55% assim que o limite for atingido — o que pode neutralizar parte do ganho com a reautorização dos frigoríficos.

Perspectivas para 2026

A reautorização ocorre em um cenário de cautela para o setor. O próprio Roberto Perosa havia alertado que as exportações brasileiras de carne bovina podem cair 10% em 2026 pelas restrições impostas pelo mercado chinês — o que torna a recuperação desses três fornecedores um alívio, mas não uma solução definitiva para as pressões comerciais.

A cota de importação sem imposto definida pela China para 2026 já está na metade. Caso o volume restante seja consumido antes do fim do ano, as exportações adicionais passarão a ser taxadas em 55%, patamar que pode comprometer a competitividade brasileira frente a outros fornecedores globais.

A JBS, maior processadora de carne do mundo, tem sua unidade de Mozarlândia entre os frigoríficos reautorizados. A retomada das operações da planta goiana representa impacto significativo no volume total de exportações do setor.

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