Lula participa nesta quarta-feira (24) em Nova York de um encontro com líderes de Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai para debater a defesa da democracia e o combate ao extremismo. O evento ocorre paralelamente à Assembleia Geral da ONU e reúne representantes de cerca de 30 países.
A agenda inclui estratégias para enfrentar desinformação, discurso de ódio e fortalecer o multilateralismo.
Encontro internacional reúne líderes em defesa da democracia
O evento, articulado por Lula com os presidentes Gabriel Boric (Chile), Pedro Sánchez (Espanha), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai), ocorre durante a 80ª Assembleia-Geral da ONU, iniciada na terça-feira (23) com discurso do presidente brasileiro. O fórum busca discutir formas de fortalecer a democracia e o multilateralismo, além de debater estratégias para combater o extremismo, a desinformação e o discurso de ódio.
Diferente da edição anterior, os Estados Unidos não foram convidados para o encontro deste ano. Segundo auxiliares de Lula, nenhum organizador cogitou chamar os EUA e a administração de Donald Trump não demonstrou interesse em participar.
Repercussão e bastidores da agenda diplomática
No mesmo dia da abertura da Assembleia, Donald Trump discursou logo após Lula e relatou ter tido “uma química excelente” com o presidente brasileiro. Trump afirmou: “Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto. Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química, e isso é um bom sinal”. Há expectativa de reunião entre os dois líderes por telefone ou videoconferência na próxima semana.
Apesar do tom amistoso, a diplomacia brasileira orienta cautela e prepara o encontro com minúcia para evitar constrangimentos, como os ocorridos em reuniões anteriores de Trump com outros líderes, entre eles Volodymyr Zelenski e Cyril Ramaphosa.
Esta é a primeira viagem de Lula aos Estados Unidos desde a posse de Trump, em meio à maior crise diplomática das últimas décadas entre os dois países, após a imposição de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros como retaliação ao julgamento e condenação de Jair Bolsonaro. Na ONU, Lula reforçou que a democracia e a soberania brasileiras são “inegociáveis” e condenou agressões ao Judiciário e ataques à democracia.