O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (19) que vai nomear um “czar da IA” para chefiar a supervisão da regulamentação da inteligência artificial no país.
Segundo Trump, o grupo será criado em um “futuro próximo” e vai apoiar o crescimento do setor, mas também vigiar condutas ilícitas, usando o sistema de justiça criminal e civil já existente.
Postura contra novas regras federais
Dias antes do anúncio, Trump publicou nas redes sociais que existe uma “conspiração doentia” contra a inteligência artificial e os centros de dados que sustentam a tecnologia. Ele rejeitou pedidos por novas regras federais específicas para o setor, defendendo que os Estados Unidos precisam apenas de um presidente forte para regular a IA.
Ao anunciar o czar da IA, o republicano tentou equilibrar discursos: prometeu “valorizar, apoiar e acompanhar” o crescimento da inteligência artificial, mas afirmou que o governo ficará atento a irregularidades. “Podemos fazer isso com muita facilidade, utilizando nosso sistema de justiça criminal e civil já existente”, disse.
A medida dá continuidade a uma série de movimentos do governo americano em relação à IA. Em junho, Trump já havia assinado um decreto que abre os modelos de IA ao governo antes do lançamento, permitindo revisão prévia por autoridades federais — a criação do czar é o passo seguinte nessa mesma direção.
IA também entra na pauta com a China
Autoridades americanas confirmaram que o tema da inteligência artificial será discutido nas conversas com a China, à medida que Trump se prepara para se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, na próxima semana.
Washington e Pequim tratam os avanços em IA como fator decisivo para a competitividade econômica e militar de cada país, mas o diálogo é tenso: os dois governos discordam sobre o acesso a chips avançados, acusações de cópia de tecnologia e a regulamentação da indústria do setor.
O anúncio do czar também reforça um padrão dos últimos meses: em junho, o governo americano já havia confirmado que avalia comprar participações diretas em empresas de inteligência artificial, sinal de que o Estado busca se envolver diretamente no setor, além de apenas regulá-lo.