Levantamento Ipsos encomendado pelo Observatório do Clima revela que 91% dos brasileiros consideram fundamental que os candidatos às eleições de 2026 apresentem propostas concretas contra as mudanças climáticas. Para 62% dos entrevistados, o tema é considerado muito importante.
A pesquisa, divulgada nesta quinta-feira (17), ouviu 1.800 brasileiros de todas as regiões do país entre 17 e 20 de agosto, mostrando como o clima já pesa nas decisões de voto para presidente, governador e demais cargos.
O que a pesquisa revela sobre a opinião pública
O levantamento ouviu 1.800 brasileiros com 18 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre os dias 17 e 20 de agosto. Aplicado de forma online, o questionário reuniu 32 perguntas sobre mudanças climáticas, meio ambiente e a presença desses temas na agenda pública.
Os números mostram uma percepção difundida sobre os efeitos da crise climática: 87% dos entrevistados afirmam que o fenômeno já provoca secas, chuvas intensas e ondas de calor, e 85% dizem que ele afeta o cotidiano da população. Outros 79% defendem priorizar o tema mesmo que isso implique custos econômicos, enquanto 76% acreditam que ainda é possível evitar os impactos mais graves com medidas imediatas.
Entre os problemas ambientais, a mudança climática lidera as menções, com 35%, à frente da gestão de resíduos e lixo (21%) e da qualidade do ar e poluição (15%). Para 90% dos entrevistados, é muito importante que o governo e as políticas públicas se dediquem à proteção do meio ambiente — apenas 3% consideram essa atuação pouco ou nada relevante.
Cobrança que não encontra resposta nos presidenciáveis
Para Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, o resultado expõe uma distância entre o que a população deseja e o que os candidatos oferecem. “A pesquisa mostra que os brasileiros querem compromissos dos candidatos na agenda climática, mas infelizmente não é o que está acontecendo”, avalia. “A maioria dos presidenciáveis tem planos fracos ou inexistentes para o tema. Um dos candidatos, inclusive, é um negacionista convicto”, afirma.
O negacionista a que Astrini se refere tem nome: levantamento do próprio Observatório do Clima identificou sete propostas antiambientais no programa de Flávio Bolsonaro e apenas uma medida considerada positiva para o clima.
Preocupação que nem sempre chega às urnas
A pesquisa também indica os limites dessa mobilização: quando comparada a preocupações como segurança, economia e serviços públicos, a mudança climática perde espaço entre as prioridades dos brasileiros, mesmo ocupando o topo entre as pautas ambientais.
Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, lembra que a preocupação declarada precisa se transformar em decisão de voto. “O esforço a ser feito é para que essa preocupação se reflita em votos que assegurem a eleição de candidatos que realmente incorporem esse tema em sua atuação. Em plena crise climática, não dá para aceitar negacionistas, declarados ou disfarçados, nem no Executivo, nem no Legislativo”, afirma.
A distância entre discurso e prática também aparece no comportamento individual. Levantamento anterior já havia mostrado que 43% dos brasileiros não mudaram nenhum hábito nos últimos doze meses, mesmo sentindo os efeitos da crise climática no dia a dia — um indício de que a pressão por propostas eleitorais convive com resistência a mudanças pessoais.