O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (18) que o petróleo encontrado na Margem Equatorial brasileira tem potencial para se tornar um novo pré-sal, com qualidade que pode superar a do já produzido na costa sudeste do país.
Na ocasião, ele citou o interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por petróleo, minerais críticos e terras raras como argumento para que o Brasil proteja suas riquezas naturais.
Descoberta no campo de Morpho anima o governo
A declaração de Lula toma como referência a descoberta anunciada em agosto pela Petrobras no poço Morpho, perfurado na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 km da costa do Amapá. O achado é considerado o marco inicial da nova fronteira exploratória que o presidente agora compara ao pré-sal.
Após o anúncio, a estatal obteve licença do Ibama para ampliar a exploração em poços próximos a Morpho, dentro da Margem Equatorial. O pré-sal, descoberto na década passada, hoje responde pela maior parte da produção brasileira de petróleo e gás — e é essa escala que o governo mira replicar na nova região.
Para Lula, garantir o controle sobre essas reservas vai exigir grandes investimentos do governo, dado o tamanho continental do território brasileiro e a necessidade de estruturar a exploração de forma soberana.
Crítica a Trump repete tom usado em maio
Não é a primeira vez que Lula recorre à postura dos Estados Unidos para reforçar a urgência da exploração na Margem Equatorial. Em maio, conforme mostrou o Tropiquim, o presidente já havia usado Trump como argumento, ao comparar o risco de inação brasileira à postura expansionista americana sobre a Groenlândia.
Na mesma fala desta sexta-feira, Lula voltou a criticar Trump e o governo americano pela classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, ampliando o atrito diplomático entre os dois países.
O discurso reforça a estratégia do Planalto de vincular a defesa de recursos estratégicos — petróleo, minerais críticos e terras raras — à narrativa de soberania nacional diante da política externa de Washington.