A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta sexta-feira (18) que o planeta pode enfrentar um déficit de 11,1 milhões de profissionais de saúde até 2030, à medida que população e trabalhadores da área envelhecem ao mesmo tempo.
O alerta acompanha um relatório baseado em dados de mais de 100 países, que projeta que 67 nações não terão pessoal suficiente para manter os padrões de atendimento médico atuais.
Envelhecimento aperta o setor
Segundo a OMS, a crise é impulsionada por um duplo envelhecimento: o da população mundial, que demanda mais cuidados médicos, e o dos próprios profissionais de saúde, que se aproximam da aposentadoria. Nos países de renda mais alta — incluindo boa parte da Europa —, a situação é mais grave: um em cada três médicos deve deixar a profissão nos próximos dez anos, por terem uma força de trabalho mais idosa.
Para manter a proporção atual de profissionais em relação à população mundial, seriam necessários pelo menos 832 mil novos trabalhadores da saúde. Sem esse reforço, o relatório aponta um risco concreto: o aumento da dependência de profissionais estrangeiros nos países mais pobres, o que pode comprometer ainda mais os padrões de atendimento médico nessas regiões.
A escassez de mão de obra ocorre justamente quando a demanda por atendimento tende a crescer. A própria OMS já havia projetado 35 milhões de novos casos de câncer por ano até 2050, cenário que deve pressionar ainda mais sistemas de saúde que já enfrentam falta de pessoal.
Mercado de trabalho em expansão
O cenário projetado pela OMS reforça uma tendência já identificada em outros estudos sobre o futuro do emprego. Um levantamento do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos apontou que a área de saúde e assistência social será o setor com maior expansão de empregos até 2034, puxada justamente pelo envelhecimento populacional — o mesmo fator que a OMS aponta como origem do déficit global.
Para a organização, o desafio agora é duplo: formar e reter profissionais em número suficiente para repor os que se aposentam, e evitar que a corrida por mão de obra qualificada aprofunde as desigualdades entre nações ricas e pobres. Sem políticas de investimento em formação e retenção, os países de menor renda tendem a perder ainda mais profissionais para mercados que pagam salários mais altos, agravando a fragilidade de seus sistemas de saúde.