A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a circulação no Brasil da T36, marca de tirzepatida fabricada no Paraguai e comercializada sem registro sanitário, inclusive em anúncios nas redes sociais.
A medida veta armazenamento, comercialização, distribuição, exportação, importação, propaganda, transporte e uso do produto — a décima marca paraguaia da substância barrada pela agência.
Lista de proibições e a disputa na Justiça
Antes da T36, a Anvisa já havia banido ao menos nove marcas de tirzepatida fabricadas no Paraguai: Lipoless, Tirzec, Gluconex, Tirzedral, Slimex MD, Slimex, Rapha e a substância produzida pelas marcas Synedica e TG. A nova proibição amplia o cerco da agência a um mercado que virou cabo de guerra na Justiça.
Em junho, o g1 identificou ao menos 12 ações na Justiça Federal em que pacientes pediam autorização para importar o medicamento irregular do Paraguai. Os casos não têm posição unânime entre os magistrados: em cinco deles, juízes concederam liminares favoráveis, decisões recorridas por órgãos de fiscalização mesmo em casos de uso pessoal.
De um lado, pacientes recorrem à Justiça citando o preço do medicamento no Paraguai, até três vezes mais baixo que no Brasil. De outro, autoridades sanitárias apontam o risco à saúde pública que, se concretizado, recai sobre o sistema de saúde brasileiro — cerco que a Anvisa já vinha reforçando desde abril, quando revelou a importação de insumos suficientes para 20 milhões de doses da substância e anunciou revisão nas normas de manipulação.
46 mortes sob investigação e fronteira mais rígida
O sistema de farmacovigilância da Anvisa apura, até o momento, 46 mortes relacionadas ao uso de tirzepatida. Segundo a agência, ainda não é possível determinar quantos desses casos envolvem medicamentos irregulares como a T36.
Sem registro sanitário, produtos como esse não têm rastreamento de procedência ou lote — o que torna praticamente impossível comprovar a origem de eventuais complicações. Foi o mesmo problema apontado quando a agência baniu as canetas Gluconex e Tirzedral importadas do Paraguai, marcas que também não permitiam identificar fabricante ou composição.
Para conter a entrada desse tipo de medicamento, o Brasil vem fechando acordos com o Paraguai para reforçar a fiscalização na fronteira — mas, enquanto a Justiça segue dividida sobre autorizar importações individuais, o número de marcas proibidas continua crescendo.