A Petrobras confirmou nesta sexta-feira (14) a primeira descoberta de indícios de petróleo e gás natural na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. O sinal apareceu no poço exploratório Morpho, marco para uma das fronteiras mais disputadas do país.
Perfurado a 175 quilômetros da costa, em lâmina d’água de 2.886 metros, o poço ainda não comprova reserva comercial — a estatal seguirá perfurando para medir o volume encontrado e avaliar se a produção é viável.
Como os indícios foram identificados
A presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de análises feitas durante a perfuração do poço Morpho, incluindo perfis elétricos e amostras de rochas retiradas do subsolo — métodos que permitem detectar sinais de petróleo e gás presos nas formações geológicas. Encontrar hidrocarbonetos, no entanto, é apenas uma das primeiras etapas da exploração de uma área: a Petrobras agora vai aprofundar os estudos para responder a duas perguntas centrais — quanto petróleo ou gás existe no local e se a quantidade é suficiente para justificar a produção.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a descoberta reforça o potencial da Margem Equatorial brasileira, área que a estatal considera estratégica para repor reservas e sustentar a produção nacional nas próximas décadas.
O bloco onde o poço foi perfurado, batizado FZA-M-59, pertence integralmente à Petrobras, que arrematou a área em um leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizado em 2013.
Uma perfuração que dependeu de mais de uma década de licenciamento
O poço Morpho só pôde ser perfurado depois que o Ibama aprovou, em setembro de 2025, a avaliação pré-operacional da Petrobras na Foz do Amazonas, marco que encerrou um processo de licenciamento ambiental iniciado em 2014. Até chegar a essa etapa, a estatal precisou cumprir exigências como a realização de um simulado de emergência no mesmo bloco FZA-M-59, última condição imposta pelo órgão ambiental antes da liberação da perfuração.
A demora reflete a sensibilidade ecológica da região, situada próxima à foz do rio Amazonas e a ecossistemas marinhos ainda pouco estudados. Para a Petrobras, a descoberta reacende o argumento de que a Margem Equatorial pode se tornar a nova fronteira de produção de petróleo do Brasil, caso os próximos testes confirmem volumes comercialmente viáveis.