O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta segunda-feira (18) a exploração de petróleo da Margem Equatorial pela Petrobras — e usou Donald Trump como argumento de urgência.
Durante cerimônia de anúncio de investimentos da estatal em São Paulo, Lula afirmou que o Brasil precisa ocupar a área com “a maior responsabilidade” antes que o presidente americano “ache” que a riqueza é “dele” e avance sobre o local.
Lula comparou o risco de inação com a postura expansionista de Trump em relação à Groelândia — território autônomo dinamarquês que o presidente americano ameaçou anexar. A analogia foi mobilizada para dar urgência à exploração da Margem Equatorial pela estatal brasileira.
“Ninguém tem mais cuidado com a Amazônia do que nós. Agora, a gente vai fazer com a maior responsabilidade do mundo, mas a gente não pode deixar uma riqueza que está a quase 500 metros de distância da nossa margem porque daqui a pouco o Trump acha que é dele e vai lá”, declarou o presidente.
O discurso acontece em momento de intensa movimentação diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Há menos de duas semanas, durante encontro na Casa Branca, Lula havia alertado Trump de que o recuo americano na América Latina abriu espaço para a China avançar na região — argumento que agora reaparece na justificativa para ocupar a Margem Equatorial antes que o interesse externo se antecipe ao Brasil.
O posicionamento soberanista de Lula sobre a Margem Equatorial integra uma narrativa mais ampla que o presidente vem construindo sobre recursos estratégicos. No mesmo dia, durante cerimônia em Campinas, Lula havia condicionado uma parceria com os EUA na exploração de minerais críticos a que Trump “deixe de brigar” com Xi Jinping — a mesma lógica soberanista que agora aplica ao petróleo.
Riqueza nacional como fronteira a ser ocupada
A retórica presidencial combina dois movimentos simultâneos: reafirmar compromisso ambiental — “ninguém tem mais cuidado com a Amazônia do que nós” — e enquadrar a inação como entrega de riqueza nacional a potências estrangeiras. Com a frase “nós vamos ocupar”, Lula transforma a exploração em ato de afirmação territorial, não apenas energético.
O cenário geopolítico descrito por Lula — Trump avançando sobre territórios e a China preenchendo espaços deixados pelos EUA na América Latina — é a moldura que o presidente usa para elevar a Margem Equatorial de pauta energética a fronteira estratégica do Brasil.
