O Ibama autorizou a Petrobras a perfurar mais três poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas, região amazônica considerada ambientalmente sensível. A decisão foi assinada nesta quinta-feira (3) pelo presidente do órgão, Jair Schmitt.
Os novos poços devem ajudar a determinar se a recente descoberta de petróleo feita pela Petrobras na bacia tem viabilidade comercial, ponto aguardado pelo setor de óleo e gás no país.
O que a licença exige da Petrobras
De acordo com a decisão do Ibama, a Petrobras tem prazo de 30 dias após o recebimento da licença para apresentar ao órgão um cronograma atualizado do projeto de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas. A exigência busca dar previsibilidade ao acompanhamento ambiental da nova fase exploratória.
A autorização é o desdobramento mais recente de um processo de licenciamento que já dura meses. Em setembro de 2025, o Ibama havia aprovado a simulação de emergência da Petrobras, etapa final que liberou a perfuração do primeiro poço exploratório no bloco FZA-M-59 — antecedente direto da autorização anunciada nesta semana.
A informação foi divulgada pela agência Reuters e ainda não foi confirmada oficialmente em nota pelo Ibama.
Preocupação ambiental na Margem Equatorial
A expansão da exploração de petróleo na Foz do Amazonas ocorre em uma área que especialistas descrevem como um dos ecossistemas mais sensíveis do país, parte da chamada Margem Equatorial. Estudos apontam que a atividade na região pode causar danos severos ao clima e à biodiversidade, com potencial de emitir até 4,7 bilhões de toneladas de CO₂ e afetar recifes amazônicos e o maior cinturão contínuo de manguezais do mundo.
Por ora, o avanço da Petrobras segue condicionado à comprovação de viabilidade comercial dos poços recém-descobertos. O resultado das próximas perfurações deve orientar os próximos passos da estatal na região e o ritmo do licenciamento ambiental conduzido pelo Ibama.