O governo Lula anunciou nesta quinta-feira (17) reajuste de 15,04% no Bolsa Família: o piso sobe de R$ 600 para R$ 691 em outubro, entre o primeiro e o eventual segundo turno das eleições.
A 17 dias da votação, o anúncio provocou reação imediata de candidatos da oposição, que classificaram a medida como eleitoreira e levaram o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Reações da oposição: “ato de desespero” e “uso eleitoreiro”
Para Flávio Bolsonaro (PL), o anúncio foi um “ato de desespero” do adversário. O candidato disse que Lula “fez uma coisa que não fez em quatro anos de governo” porque “sabe que já perdeu”, e defendeu que o reajuste seria ilegal em período eleitoral.
Ronaldo Caiado (União Brasil) afirmou que “ninguém é contra apoiar quem mais precisa”, mas classificou o momento do anúncio como “uso eleitoreiro” do programa a 17 dias da votação. Para o ex-governador de Goiás, trata-se de um “desgoverno” que “rifa o futuro do país sem o menor pudor”.
Renan Santos foi além: chamou o reajuste de “criminoso” e de “compra de voto” durante discurso de campanha em Chapecó (SC) e anunciou que recorreria ao TSE contra a medida.
A oposição contrasta o anúncio com a postura do próprio governo há pouco mais de um ano: o Executivo chegava a prever corte de recursos no Bolsa Família para 2026, cenário revertido com o anúncio desta quinta-feira.
Do lado do governo, Lula defendeu a medida nas redes sociais. “Bolsa Família é para garantir comida na mesa, dignidade e oportunidade para as famílias seguirem em frente”, escreveu. Segundo a equipe econômica, o reajuste apenas repõe a inflação acumulada desde o início do governo, em 2023, até agosto deste ano.
Ação no TSE e custo fiscal do reajuste
Horas após o anúncio, o deputado Zé Trovão (PL-SC), aliado de Flávio Bolsonaro, acionou o TSE contra o reajuste do Bolsa Família. O ministro André Mendonça foi sorteado relator do caso. Renan Santos também informou que ingressaria com ação própria no tribunal.
Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o reajuste custará R$ 5,8 bilhões em 2026, somando os pagamentos de outubro a dezembro. A partir de 2027, o impacto anual sobe para R$ 22,7 bilhões por ano.
O timing do anúncio, no entanto, já gera debate entre economistas: alguns comparam a medida à PEC Kamikaze de 2022, que também elevou benefícios sociais às vésperas de uma eleição e deixou impacto duradouro nas contas públicas.
O governo nega qualquer influência eleitoral na decisão e afirma que o reajuste cabe no arcabouço fiscal vigente.