O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15% no Bolsa Família, elevando o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691. O valor médio pago às famílias passará de R$ 675 para R$ 777, segundo o Ministério do Planejamento.
A correção repõe a inflação acumulada desde março de 2023, quando o programa foi relançado pelo governo Lula e ficou sem qualquer reajuste até agora. O anúncio ocorre em meio à corrida eleitoral de 2026.
O reajuste chega depois de o Bolsa Família passar mais de três anos sem correção desde o relançamento do programa por Lula, em março de 2023. Segundo o Ministério do Planejamento, a medida repõe a inflação acumulada entre o início do atual mandato petista e agosto deste ano.
De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo do reajuste neste ano será de R$ 5,8 bilhões. Para 2027, o impacto estimado nos gastos do programa sobe para R$ 22 bilhões — o que levaria o orçamento do Bolsa Família de R$ 157,1 bilhões para cerca de R$ 179 bilhões.
Quem tem direito ao Bolsa Família
Para receber o benefício, a renda mensal por pessoa da família precisa ser de até R$ 218. É exigido também Cadastro Único atualizado para todos os integrantes do grupo familiar, além do cumprimento de compromissos nas áreas de saúde e educação.
Até a publicação desta reportagem, o Ministério do Planejamento não havia informado a data em que o novo valor passa a valer, nem detalhado os benefícios adicionais cumulativos ao piso do programa.
Mudança de rota após meses de resistência
A decisão contrasta com a postura do governo até recentemente. Até agosto do ano passado, o Executivo confirmava que o Bolsa Família seguiria sem reajuste, com o orçamento de 2026 mantendo o piso em R$ 600 e chegando a prever corte de recursos para o programa.
Em agosto deste ano, o governo enviou ao Congresso a proposta orçamentária de 2027 sem prever aumento nos valores do Bolsa Família — considerado a principal vitrine social do presidente Lula. A guinada ocorre no mesmo ano em que o petista disputa a reeleição.
A lei que recriou o programa em 2023 prevê que os valores podem ser corrigidos a cada dois anos, no máximo, mas não torna o reajuste obrigatório — interpretação usada pelo próprio governo para justificar os três anos sem correção.