Política

MPT processa Luciano Hang e pede R$ 30 milhões por assédio eleitoral

Discurso durante inauguração de loja em Caldas Novas associou fim da escala 6x1 a demissões, segundo o MPT
Editorial dramático sobre assédio eleitoral Luciano Hang: MPT pede R$ 30 milhões em processo

O Ministério Público do Trabalho (MPT) processou o empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, por assédio eleitoral. O órgão pede R$ 30 milhões de indenização por dano moral coletivo.

A ação foi protocolada na Justiça do Trabalho de Goiânia (GO) depois de um discurso de Hang a funcionários, em 29 de agosto, durante a inauguração de uma loja em Caldas Novas (GO).

Segundo o MPT, o empresário associou o fim da escala 6×1 a demissões e chamou a proposta de “estelionato eleitoral”, dias antes do início oficial da campanha de outubro.

Por que o discurso é considerado assédio eleitoral

Para os procuradores do MPT, o problema não está na opinião de Hang sobre a escala 6×1, mas na posição que ele ocupa dentro da empresa. Dirigentes representam a companhia institucionalmente, e suas falas tendem a ser lidas pelos funcionários como orientação ou pressão, mesmo sem um pedido de voto explícito.

Isso porque existe uma assimetria de poder entre quem contrata e quem é contratado. Quando um discurso associa um resultado eleitoral a prejuízos concretos, como perda de emprego ou queda no poder de compra, a mensagem pode funcionar como ameaça velada, mesmo sem citar urnas ou candidatos.

“Terror psicológico” domina os casos no país

Esse tipo de estratégia — vincular uma escolha política a cenários negativos — tem nome dentro da Justiça do Trabalho: “terror psicológico”. Um levantamento do Tribunal Superior do Trabalho mapeou as formas mais comuns de assédio eleitoral e identificou essa modalidade em 81,9% dos processos analisados desde 2023.

Além das falas presenciais, o TST verificou que grupos de WhatsApp corporativos, compartilhamento obrigatório de conteúdo político e monitoramento do posicionamento de empregados também aparecem com frequência entre os métodos usados por empresas.

Segunda condenação em menos de dois anos

Não é a primeira vez que Hang responde por assédio eleitoral. Em 2024, ele foi condenado a pagar R$ 85 milhões por danos morais individuais e coletivos após coagir funcionários na véspera da eleição de 2018, quando afirmou que poderia demitir 15 mil pessoas dependendo do resultado da disputa presidencial. À época, o empresário chamou a decisão de “descabida e ideológica”.

Na nova ação, o MPT também pede que Hang grave um vídeo de retratação em 48 horas, que a Havan libere os funcionários nos dias 4 e 25 de outubro sem desconto salarial e que a empresa adote um programa permanente de neutralidade político-eleitoral.

Em nota, a defesa de Hang afirma que ele apenas expressou opinião pessoal, sem citar candidatos ou partidos, e classifica o processo como perseguição por seu posicionamento público.

O episódio se soma a um cenário já em alta: as denúncias de assédio eleitoral no trabalho mais que dobraram em agosto, segundo dados do MPT, mostrando que a prática já vinha crescendo antes mesmo do discurso em Caldas Novas.

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