O podcast O Assunto, do g1, discutiu nesta quinta-feira (18) a escalada da interferência dos Estados Unidos na eleição presidencial brasileira de outubro.
Apresentado por Natuza Nery, o episódio #1807 recebeu o professor de Relações Internacionais da FGV Oliver Stuenkel, pesquisador do Carnegie Endowment.
Pressão diplomática e ameaça de sanções
Stuenkel apontou que a interferência americana ganhou contornos institucionais desde julho, quando o Departamento de Estado revelou planos de enviar diplomatas a Brasília para questionar a integridade das urnas eletrônicas antes do pleito de outubro. Na época, o governo Trump preparou uma missão para questionar as urnas antes da eleição no Brasil, movimento que autoridades brasileiras classificaram como incompatível com a democracia do país.
O especialista da FGV também citou o uso de sanções como instrumento de pressão contra autoridades do STF, tribunal que se tornou alvo recorrente de críticas da Casa Branca. Para Stuenkel, a estratégia busca influenciar o resultado das urnas e proteger aliados políticos nos Estados Unidos.
Investigações em curso
O cenário de interferência tem raízes mais antigas. Desde o ano passado, a Polícia Federal investiga Eduardo Bolsonaro por supostamente articular, em solo americano, pressão do governo Trump contra autoridades do STF, como mostrou a decisão em que Alexandre de Moraes prorrogou a investigação sobre Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Em meio a esse embate, Moraes encaminhou a Fachin um novo pedido de investigação, desta vez contra o ministro Mendonça, o que reforça a tensão institucional que atravessa o Judiciário brasileiro às vésperas das eleições de outubro.