Meio ambiente

El Niño mais forte em 4 décadas ameaça agravar crise hídrica global, alerta ONU

OMM diz que mundo está "gastando as reservas" de água subterrânea e gelo, com bacias fluviais fora do normal pelo sétimo ano seguido
Mapa térmico do El Niño e símbolo da ONU evidenciando a crise hídrica global provocada pelo fenômeno climático

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão vinculado à ONU, alertou nesta quinta-feira (17) que o ciclo da água está cada vez mais imprevisível e que o El Niño — o mais forte já registrado em quatro décadas — deve agravar esse cenário.

Segundo o relatório anual da entidade, 2025 foi um dos três anos mais secos para os rios em 35 anos, e as geleiras perderam massa em todas as regiões do planeta pelo quarto ano consecutivo.

A “poupança” que o planeta está gastando

Para a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, o dado mais preocupante do relatório não está nas chuvas ou nos rios, que oscilam em semanas, mas nas chamadas “reservas lentas” — águas subterrâneas e geleiras que, segundo ela, funcionam como uma conta poupança do planeta. “É um colchão que absorve os anos ruins, de modo que uma única seca não se traduza diretamente em crise hídrica”, disse. “Agora estamos gastando nossas reservas.”

O boletim mostra que quase dois terços dos poços monitorados no mundo tiveram condições fora do padrão histórico em 2025, enquanto as bacias fluviais com nível considerado normal caíram para 36% — a sétima vez seguida em que ficam em minoria.

O agravante é o El Niño em curso, que caracteriza o aquecimento anômalo das águas do Pacífico e altera padrões de vento e chuva em escala mundial. Como o secretário-geral da ONU já havia alertado, as temperaturas do oceano caminham para quase 4°C acima da média, no que seria o episódio mais intenso desde o início dos registros.

Fronteiras não seguram a água

Celeste Saulo defendeu o reforço de dados e alertas compartilhados entre países, já que uma seca ou enchente em um território pode se propagar para vizinhos. Como exemplo, citou as recentes tragédias na China e no Nepal. “O tempo não respeita fronteiras, e isso é especialmente verdadeiro no caso da água”, afirmou.

O sinal de alerta não é novo: o risco de agravamento hídrico já havia sido levantado quando a formação do fenômeno foi confirmada, o que levou o governo brasileiro a montar um gabinete de crise climática como resposta preventiva.

O padrão de deterioração também se repete ano a ano nos boletins da OMM: em 2025, a entidade já apontava que apenas um terço das bacias hidrográficas globais tinha condições normais em 2024 — agora, o novo relatório mostra que a situação piorou ainda mais.

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