A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar o repasse de R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado Mario Frias (PL-RJ) a organizações ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, a ação cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, mirando um suposto esquema de desvio de recursos públicos.
Como o esquema teria funcionado
Segundo a Polícia Federal, uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados direcionava os recursos das emendas para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovar a prestação real dos serviços contratados. As tentativas de encobrir os desvios, afirmam os investigadores, teriam se estendido até julho deste ano.
O caso chegou ao STF depois que a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) pediu a apuração dos repasses de emendas a organizações ligadas à produtora do Dark Horse. Em 21 de março, Flávio Dino determinou que Frias se manifestasse em cinco dias sobre as acusações — mas a intimação não foi cumprida.
Um oficial de Justiça tentou três vezes localizar o deputado em seu gabinete e não conseguiu entregar a notificação. A operação desta quinta-feira é o desfecho de um imbróglio que durou meses: mesmo depois que a Câmara informou os endereços de Frias em Brasília e São Paulo, novas buscas também fracassaram.
Somente em 25 de maio o deputado se manifestou ao STF, negando ter destinado as emendas ao financiamento do filme. A versão contradiz uma declaração anterior do próprio deputado, que já havia reconhecido que uma empresa ligada a Daniel Vorcaro financiou a produção.
Bastidores: PF, STF e o financiamento bilionário
O caso das emendas corre em paralelo a uma disputa dentro do próprio STF. Nesta quarta-feira (9), o presidente da Corte, Edson Fachin, suspendeu decisões que haviam afastado e depois reintegrado o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Ao determinar a volta de Rodrigues ao cargo, Dino citou diretamente o impacto do afastamento sobre as investigações do Dark Horse.
A cinebiografia de Bolsonaro virou alvo de apuração após reportagens apontarem que a produção foi bancada por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, hoje preso em Brasília. Em maio, o site Intercept Brasil revelou mensagens e um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) cobrava dinheiro de Vorcaro para o filme — que teria repassado cerca de R$ 61 milhões em 2025, valor enviado a um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.
Em agosto, a PF já havia rejeitado a tese de simples patrocínio e ampliado o caso para suspeitas de corrupção passiva envolvendo o senador — frente que agora converge com a investigação das emendas de Frias.