O dólar abriu em queda na terça-feira (8/9), primeiro pregão após os feriados da Independência do Brasil e do Labor Day nos Estados Unidos. Por volta das 9h, a moeda recuava 0,33%, cotada a R$ 5,1132, enquanto o Ibovespa se preparava para abrir às 10h.
O movimento refletiu a combinação entre o cenário eleitoral brasileiro, com Lula à frente na pesquisa Quaest, e a escalada do conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo após ataques houthis a instalações de energia na Arábia Saudita.
Pesquisa Quaest aponta folga de Lula sobre Flávio Bolsonaro
Divulgada na segunda-feira (7/9), a pesquisa Quaest mostrou Lula (PT) com 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 29% de Flávio Bolsonaro (PL) no cenário com 13 candidatos — que inclui o inelegível Pablo Marçal (PRTB). O levantamento foi contratado pela Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.004 pessoas entre os dias 3 e 6 de setembro e tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01720/2026.
Na quinta-feira (10/9), a AtlasIntel divulgou pesquisa mostrando Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula (PT) em eventual segundo turno: 46,4% a 46,2%. A margem de erro de um ponto percentual configura empate técnico, mas os dados foram bem recebidos pelo mercado financeiro e chegaram a inverter a trajetória de queda da bolsa brasileira naquele dia.
Na sexta-feira (11/9), uma pesquisa Datafolha encomendada pela Globo e pela Folha de S.Paulo apontou empate técnico em eventual segundo turno: Lula com 46% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 44%.
Ataques houthis a instalações sauditas pressionam o petróleo
No cenário internacional, os houthis do Iêmen, apoiados por Teerã, atacaram na terça-feira (8/9) instalações de energia e cidades na Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, ferindo mais de 70 pessoas. O episódio reforçou o temor de que o confronto entre Irã e seus aliados regionais se transforme em uma guerra mais ampla no Oriente Médio, fator que seguiu no radar do mercado de câmbio. O conflito entre EUA e Irã, que em maio chegou a derrubar o petróleo mais de 12% em um único dia com sinais de trégua, voltou ao centro das atenções com os ataques houthis da terça (8/9) contra instalações sauditas.
Nos dias seguintes, novos ataques com drones fecharam temporariamente o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita — estrutura que permite ao país redirecionar suas exportações sem passar pelo Estreito de Ormuz. A paralisação ameaçou até 4% do abastecimento global de petróleo. Um porta-voz militar dos Houthis anunciou ainda uma ampla operação em território saudita, sinalizando nova escalada do conflito. O Irã afirmou também ter atingido embarcações americanas e petroleiros no Golfo em retaliação à destruição de navios iranianos.
A sequência de ataques levou vários bancos a elevar suas projeções para o preço do barril. O petróleo chegou a ultrapassar US$ 105 durante a semana, antes de recuar na sexta-feira (11/9) em uma realização de lucros.
Agenda da semana e mercados globais
Investidores acompanharam a divulgação de novos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos durante aquela semana, além da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), fatores que orientaram o apetite por risco nos pregões seguintes. No Brasil, o mercado esperava uma deflação no IPCA de agosto — perspectiva que apontava para um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic pelo Copom naquele mês, probabilidade que contratos da B3 precificavam em 95%. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) era o dado central, com expectativa de alta em torno de 0,4% no período.
No cenário doméstico, a crise no Supremo Tribunal Federal também passou a pesar sobre o mercado: a Polícia Federal revelou 52 mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro entre outubro e novembro de 2025, período em que o Banco Master era alvo de investigações, elevando a aversão ao risco interno. Como desdobramento, na sexta-feira (11/9), o ministro Flávio Dino determinou a reintegração imediata do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do chefe da Diretoria de Inteligência Policial, Leandro Almada, afastados na quinta-feira (10/9) por decisão do ministro André Mendonça. A disputa entre os magistrados voltou a jogar luz sobre o caso Banco Master e sobre o peso político do STF na corrida eleitoral.
Nas bolsas da Ásia na terça-feira (8/9), o desempenho foi misto. Em Xangai, o índice SSEC subiu 0,2%, impulsionado pelos setores agrícola, de energia e de ouro, enquanto o CSI300 recuou 0,36% com pressão das ações de tecnologia. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,38%. Japão e Coreia do Sul tiveram perdas mais expressivas: o Nikkei recuou 1,70% e o Kospi, 0,58%. Na sexta-feira (11/9), os mercados asiáticos voltaram a cair de forma mais intensa, pressionados pelas expectativas de alta de juros nos Estados Unidos: SSEC cedeu 1,18%, CSI300 recuou 0,84%, Hang Seng perdeu 0,60%, Nikkei caiu 1,93% e Kospi desvalorizou 1,76%.
O quadro de queda do dólar em meio a tensões no Oriente Médio não é inédito neste ano. Em agosto, quando a tensão entre EUA e Irã já pressionava o petróleo e o mercado aguardava dados de emprego americanos, o dólar também recuou — cotado a R$ 5,08, patamar ainda abaixo do R$ 5,11 registrado em 8 de setembro.