Saúde

Fiocruz recebe aval da Anvisa para testar 1ª vacina de mRNA feita no Brasil

Tecnologia genética 100% nacional abre caminho para tratamentos contra câncer, dengue e outras doenças
Castelo da Fiocruz em destaque com a sede da Anvisa ao fundo, símbolo da vacina de mRNA no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a Fiocruz a testar em humanos, pela primeira vez no Brasil, uma vacina desenvolvida com tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). O imunizante contra a Covid-19 avança agora para o estudo clínico.

A aprovação marca a estreia do país nessa tecnologia genética e abre caminho para o uso do mRNA contra câncer, dengue, malária e doença de Chagas, segundo pesquisadores e o Ministério da Saúde.

Como funciona a vacina e por que ela é inédita

Diferentemente das vacinas tradicionais, que injetam uma proteína pronta do vírus ou um vírus inteiro enfraquecido, o imunizante da Fiocruz insere uma instrução genética que ensina o próprio organismo a produzir defesa contra a Covid-19. A fórmula protege contra as variantes atuais do vírus, incluindo a atualização mais recente exigida pela Anvisa.

O diferencial está na origem: tanto a nanopartícula lipídica que protege o RNA quanto a estrutura genética da vacina foram desenvolvidas inteiramente no Brasil, sem licenciamento de laboratórios estrangeiros. É essa característica que torna o imunizante o primeiro produzido 100% no país a chegar à fase de testes clínicos em humanos.

Investimento e recrutamento

O Ministério da Saúde destinou R$ 210 milhões para desenvolver a plataforma de mRNA em três centros: Fiocruz, Instituto Butantan e o Centro de Tecnologia de Vacinas (CT-Vacinas), em Minas Gerais. Segundo Fernanda Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do ministério, o investimento coloca o Brasil em posição de competir internacionalmente em descobertas que podem redefinir tratamentos.

O recrutamento de voluntários para a Fase 1 do estudo está previsto para o primeiro trimestre de 2027, após aprovação do protocolo pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Os participantes serão acompanhados por um ano.

Da vacina ao tratamento do câncer

Como o mRNA funciona como uma plataforma — muda a mensagem genética entregue à célula, mas mantém a mesma estrutura por trás dela —, o avanço da Fiocruz valida a tecnologia no país e pode acelerar pesquisas já em andamento contra outras doenças. Uma delas usa RNA mensageiro para instruir a própria célula tumoral a produzir uma proteína antitumoral, com redução de até 85% no volume do tumor em modelos animais com câncer de cólon.

Esse avanço acompanha um movimento global: em agosto, um ensaio de Fase 3 mostrou que uma vacina personalizada de mRNA reduziu o risco de recorrência do melanoma, resultado que já desperta interesse por outros tumores e dá escala ao campo que a Fiocruz agora quer habitar.

CAR-T mais barato e novos imunizantes

Outra frente pesquisada no Brasil propõe usar mRNA para simplificar o CAR-T, terapia que hoje exige retirar, modificar em laboratório e devolver células de defesa do paciente — processo caro pela manipulação fora do corpo. A ideia é trocar apenas o “recheio genético” da mesma nanopartícula da vacina de Covid-19, eliminando essa etapa. O esforço se soma a outras pesquisas que buscam tornar o CAR-T acessível pelo SUS, hoje inviável pelo custo de produção.

Há ainda projetos de vacinas contra dengue, malária e doença de Chagas. O movimento brasileiro ocorre justamente quando o governo dos Estados Unidos desmobiliza pesquisas com mRNA no país — que, no mundo, já vive expansão clínica: em agosto, o FDA aprovou o primeiro imunizante de mRNA contra a gripe sazonal para adultos. Para especialistas, o investimento brasileiro pode gerar pioneirismo em doenças do Sul Global e atrair novos desenvolvimentos ao país.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Brasileiro lidera estudo em que paciente vive 271 dias com rim de porco

Terapia genética controla colesterol alto por 1 ano com dose única

Uso de canetas emagrecedoras sem prescrição médica preocupa especialistas

Lula sanciona lei que amplia tratamento de infarto nas UPAs do país

Anvisa interdita lote de água mineral Vitoriosa com coliformes

Anvisa suspende produção de saneantes em fábrica da Unilever