O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta quarta-feira (2) a lei que leva o tratamento de infarto e outras urgências cardiovasculares às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de todo o país.
A partir de agora, as UPAs poderão aplicar medicamentos trombolíticos, que dissolvem coágulos e restabelecem a circulação sanguínea, sem que o paciente precise esperar a transferência para um hospital especializado.
A sanção presidencial ocorre poucas semanas depois de o Senado Federal aprovar o texto, em agosto de 2026. À época, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) enviou uma carta a Lula pedindo urgência na sanção, ao lembrar que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no país.
Por que a rapidez importa
Em emergências como o infarto, quanto maior o intervalo entre o início dos sintomas e o início do tratamento, maior o risco de complicações, sequelas e morte. Com os trombolíticos disponíveis já na UPA, o atendimento pode começar antes mesmo da chegada a uma unidade com estrutura para hemodinâmica.
Segundo o texto sancionado, o poder público terá até 180 dias para implementar as novas regras, prazo que deve servir para adaptar o SUS e capacitar as equipes das unidades de pronto atendimento aos novos protocolos.
Para a SBC, a medida tem impacto direto sobre pacientes que vivem fora dos grandes centros urbanos e enfrentam dificuldade para chegar a tempo a hospitais equipados com hemodinâmica. Nesses casos, o uso do trombolítico na própria UPA pode iniciar o tratamento dentro da janela considerada ideal para reduzir os danos ao coração.
A expectativa da entidade médica é que a ampliação do acesso à terapia trombolítica reduza a desigualdade regional no atendimento a emergências cardíacas, hoje concentrado em hospitais de referência localizados principalmente nas capitais e grandes cidades.