Política

Lottenberg é afastado do Conselho do Einstein após ser citado como futuro ministro da Saúde

Código de ética do hospital exige neutralidade política em ano eleitoral
Fachada do Hospital Albert Einstein com símbolo do Governo Federal, no caso Lottenberg ministro da Saúde

Claudio Luiz Lottenberg deixou nesta terça-feira (1º) a presidência do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. O afastamento é temporário e vale até o fim do período eleitoral de outubro.

A licença foi anunciada horas depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, declarar ao Jornal Nacional que nomearia o oftalmologista ministro da Saúde caso vença a eleição.

Código de ética motiva o afastamento

Segundo o Einstein, a licença cumpre o Código de Ética da instituição, que exige neutralidade política absoluta de seus dirigentes e proíbe o uso de bens e recursos institucionais para fins políticos. A medida abrange as atribuições de Lottenberg ligadas à governança da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e permanece em vigor até o encerramento do calendário eleitoral.

Lottenberg é oftalmologista de formação e acumula outros cargos de relevância pública: preside a Confederação Israelita do Brasil (Conib) e o Instituto Coalizão Saúde (Icos), já atuou como conselheiro consultivo do Unicef e foi secretário municipal de Saúde de São Paulo na gestão de José Serra (PSDB).

Em nota divulgada após a entrevista de Flávio Bolsonaro, Lottenberg confirmou ter conversado com o candidato e afirmou estar sempre disposto a contribuir com o país, dada sua experiência na área da saúde.

Repercussão e histórico de pressão institucional

O episódio reacende o debate sobre os limites entre atuação técnica e disputa política em instituições de saúde de grande porte durante a campanha eleitoral. A citação pública de um dirigente hospitalar como possível ministro expõe o Einstein a questionamentos sobre isenção, o que motivou a resposta rápida da instituição.

Não é a primeira vez que o hospital enfrenta pressão político-institucional em 2026. Em junho, o MPF ajuizou ação para impor cotas de residência médica ao Einstein, episódio que já havia colocado a gestão da entidade sob escrutínio público.

Até o momento, o Einstein não informou quem assume interinamente a presidência do Conselho Deliberativo durante o período de afastamento de Lottenberg.

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