A Polícia Federal ampliou, no mês passado, a equipe responsável pela análise dos celulares apreendidos com o banqueiro Daniel Vorcaro. Novos delegados, peritos, agentes e escrivães foram convocados para reforçar a investigação.
Ao todo, oito aparelhos foram confiscados. Só o primeiro concentra 400 gigabytes de conteúdo e cerca de 8 mil vídeos a serem verificados. A extração dos dados ocorre em paralelo em Brasília, São Paulo e Minas Gerais.
Material decisivo para a delação
O volume impressionante de dados não é apenas um desafio técnico — é o núcleo da estratégia da investigação. O conteúdo extraído dos dispositivos é considerado peça fundamental para confrontar os termos que Vorcaro pretende apresentar na tentativa de fechar acordo com as autoridades.
Interlocutores da negociação são enfáticos: o material terá que ser contundente para que a delação seja efetiva. A distribuição da perícia entre três estados reflete a urgência e a complexidade do processo.
Esse cenário tem raiz direta no impasse já estabelecido nas negociações. A PF e a PGR já rejeitaram a proposta inicial de Vorcaro por considerá-la insuficiente, exigindo conteúdo mais robusto para que a delação avance.
Compliance Zero acelera o cerco
Enquanto a perícia nos oito celulares segue em curso, a Operação Compliance Zero mantém o ritmo. Nesta quinta-feira, a 5ª fase da operação resultou na prisão temporária do primo de Vorcaro e em buscas nos endereços do senador Ciro Nogueira, ampliando o alcance das investigações para conexões políticas do esquema.
O cerco digital ao banqueiro é parte de uma estratégia deliberada: qualquer dado relevante extraído dos aparelhos pode alterar o peso da proposta de delação — e determinar o quanto Vorcaro terá a oferecer para garantir um acordo vantajoso com a Justiça.
