Uma operação de combate ao desmatamento ilegal na Mata Atlântica embargou 80,18 hectares de vegetação nativa no Espírito Santo, área equivalente a mais de 112 campos de futebol.
As fiscalizações ocorreram entre 10 e 21 de agosto em Afonso Cláudio, Brejetuba e Laranja da Terra, na Região Serrana, com base em alertas de desmatamento do MapBiomas e do sistema ES+.
A ação resultou em 84 autos de infração, multas de R$ 656 mil, apreensão de 53 aves e outros 16 autos por captação irregular de água.
Como a operação identificou as áreas desmatadas
Os locais fiscalizados foram selecionados a partir de alertas de desmatamento detectados por sistemas de monitoramento por satélite, como o MapBiomas e o ES+. Ao todo, 98 pontos foram vistoriados nos três municípios da Região Serrana capixaba. A Câmara dos Deputados aprovou em maio um projeto que restringe o uso desse tipo de sensoriamento remoto para embasar, sozinho, embargos e medidas cautelares — justamente a ferramenta que sustentou a seleção dos pontos fiscalizados nesta operação.
A ação faz parte da mobilização nacional Mata Atlântica em Pé 2026, voltada ao combate ao desmatamento ilegal e à recuperação de áreas degradadas. No Espírito Santo, ela foi conduzida em conjunto pelo Ministério Público estadual (MP-ES), Polícia Militar Ambiental, Idaf, Ibama, Iema, Agerh e Notaer.
MP-ES vai acompanhar recuperação das áreas
O Centro de Apoio Operacional da Defesa do Meio Ambiente (CAOA), do MP-ES, vai acompanhar os desdobramentos da operação. As áreas embargadas ficam sujeitas a medidas para impedir a continuidade das atividades irregulares e obrigar a recuperação dos danos ambientais.
Segundo a promotora de Justiça Bruna Legora, a meta é chegar ao desmatamento zero na Mata Atlântica. Ela lembra que, antes da Lei da Mata Atlântica, a média anual de desmatamento no bioma chegava a 110 mil hectares — hoje, esse número caiu para cerca de 10 mil hectares por ano, equivalente a 14 mil campos de futebol.
A Operação Mata Atlântica em Pé foi realizada simultaneamente em 17 estados que integram o bioma. O balanço preliminar aponta 1.520 alertas de desmatamento fiscalizados e a constatação de 8.370,28 hectares desmatados ilegalmente em todo o país, com multas somando cerca de R$ 100 milhões — valor que ainda pode ser atualizado após a consolidação dos dados pelos estados.
Pelo desempenho na fiscalização de alertas de desmatamento, o Espírito Santo recebeu o primeiro Prêmio Mata Atlântica em Pé, na categoria voltada ao trabalho de monitoramento e resposta rápida das equipes.
As multas administrativas não encerram o problema para quem desmata ilegalmente. Em julho, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou a condenação de um fazendeiro a recuperar área de Mata Atlântica desmatada e pagar indenização ambiental — um caminho que o MP-ES também pode seguir ao acompanhar os casos abertos no Espírito Santo.