O BNDES anunciou nesta terça-feira (1º) que vai quase dobrar sua contribuição ao Plano Brasil Soberano 3, de R$ 5 bilhões para R$ 9,1 bilhões. Com o reforço, o orçamento total do programa sobe para R$ 22,6 bilhões.
O plano apoia exportadoras atingidas pelas tarifas dos EUA e pelos conflitos no Golfo Pérsico, e ganha uma linha inédita para minerais críticos. Em 15 dias, empresas poderão protocolar pedidos de empréstimo no BNDES ou em instituições parceiras.
Como serão distribuídos os R$ 22,6 bilhões
Do total, R$ 8,8 bilhões vão para exportadores diretamente atingidos pelo aumento de tarifas dos Estados Unidos. Outros R$ 6,8 bilhões são destinados a empresas e fornecedores que exportam para países do Golfo Pérsico, região impactada pela guerra entre EUA e Irã. Os R$ 7 bilhões restantes se dividem entre R$ 4 bilhões para o setor de adubos e fertilizantes e R$ 2 bilhões para a cadeia de minerais críticos e estratégicos.
Segundo o BNDES, os encargos financeiros variam conforme o tipo e a finalidade de cada financiamento. O presidente do banco, Aloizio Mercadante, afirmou que o Plano Brasil Soberano “se mostrou fundamental para ampliar o acesso das empresas brasileiras ao crédito em um momento de maior instabilidade no comércio internacional”.
Apenas uma semana antes, o governo havia publicado a liberação de R$ 13,5 bilhões em novas linhas do Brasil Soberano — reforço que agora é ampliado pelo anúncio desta terça-feira.
Terceira rodada de um programa em expansão
O Brasil Soberano nasceu em agosto de 2025, quando o governo autorizou o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para socorrer empresas atingidas pelo primeiro tarifaço americano. Uma segunda etapa, iniciada em março deste ano, elevou o limite de crédito para R$ 21 bilhões — período em que uma portaria já havia definido os setores habilitados a acessar R$ 15 bilhões do programa, incluindo empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio.
O governo estima que cerca de 2,4 mil empresas brasileiras foram afetadas pelo tarifaço, responsáveis por 18% das exportações do país aos EUA e por US$ 7,4 bilhões (R$ 37,5 bilhões) em vendas ao mercado americano em 2024. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), 74% dessas empresas já exportam para outros destinos, o que pode facilitar o redirecionamento das vendas para novos mercados.