A ministra do Planejamento, Simone Tebet, declarou que café e carne devem ficar de fora do aumento de tarifas dos Estados Unidos. A afirmação ocorreu durante evento em São Paulo, nesta terça-feira (5), em meio a negociações para evitar impactos negativos nas exportações brasileiras.
O governo brasileiro busca garantir que itens essenciais do agronegócio não sejam afetados pelo tarifário americano, mantendo diálogo aberto com autoridades dos EUA.
Negociações sobre o tarifário dos EUA
O tarifário dos Estados Unidos é uma lista de produtos que podem sofrer tarifas adicionais como retaliação comercial. O governo brasileiro atua para excluir do tarifário itens como café e carne, considerados essenciais para a economia nacional. Segundo Tebet, a expectativa é que, diante do impacto inflacionário e de pesquisas de opinião, o governo norte-americano recue da aplicação de tarifas sobre esses produtos.
O tarifaço anunciado pelo governo Donald Trump gerou forte reação do Palácio do Planalto e de parlamentares da base aliada, preocupados com possíveis prejuízos ao setor produtivo brasileiro.
Importância dos setores afetados
Café e carne representam parcela significativa das exportações brasileiras. A exclusão desses itens do tarifário é vista como fundamental para evitar perdas econômicas e proteger setores sensíveis do agronegócio.
Medidas para mitigar impactos
Simone Tebet detalhou que o governo já trabalha em um plano de contingência para mitigar eventuais efeitos do aumento de tarifas. “O plano de contingência está acontecendo. As equipes estão trabalhando. Uma série de medidas estão nesse cardápio. É uma questão de tirar ou não tirar, a depender das exceções serem estendidas ou não”, afirmou.
Ela explicou que cada setor poderá receber benefícios específicos, aproveitando medidas testadas durante a pandemia, sem recorrer a soluções improvisadas. Segundo Tebet, “não vamos inventar nada, não vamos tirar coelho da cartola. A pandemia nos permitiu testar medidas que se mostraram, muitas delas, bem-sucedidas, com apoio do Congresso”.
Impacto fiscal das ações
Tebet ressaltou que a maioria das ações previstas não exige espaço orçamentário e, portanto, não afeta o teto de gastos. “Quando você fala de alongamento de prazo, carência, juros diferenciados, subsídios, isso não necessariamente passa pelo orçamento”, explicou. Algumas decisões dependem apenas da autonomia de bancos públicos, como o BNDES e o Banco do Brasil, e, em casos pontuais, valores poderão ser enviados ao Congresso.
“Pode até ter algum impacto fiscal, mas o que é prioritário e emergencial agora não exige isso. Se houver algo que demande recursos, vai ser tratado com razoabilidade. Já tivemos essa experiência na pandemia”, concluiu Tebet.