O anúncio do pacote de socorro para empresas impactadas pelo tarifaço de 50% dos Estados Unidos foi adiado para a próxima semana, segundo auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e membros da equipe econômica.
O governo avalia adiar impostos, garantir crédito e criar mecanismos para preservar empregos, priorizando empresas mais afetadas.
Medidas de reciprocidade contra os EUA ainda não têm consenso e podem ser discutidas posteriormente.
Discussão sobre medidas de apoio
O governo brasileiro discute um conjunto de ações para mitigar os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Entre as propostas estão o adiamento do pagamento de impostos federais, a compra de produtos que perderão espaço no mercado externo, a criação de mecanismos para preservar empregos e a antecipação de créditos tributários.
A estratégia prevê a hierarquização das empresas beneficiadas em diferentes faixas, de acordo com o nível de impacto sofrido. Empresas mais atingidas terão acesso facilitado a crédito, com melhores condições de carência, prazos e juros, especialmente por meio do BNDES.
Apesar da pressão, não há consenso dentro do governo sobre a adoção imediata de medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos. Caso essas ações sejam implementadas, serão anunciadas em um segundo momento.
Critérios para evitar uso indevido
Uma das principais preocupações do governo é evitar que setores não afetados pelo tarifaço se beneficiem indevidamente das medidas, o que poderia gerar um problema fiscal. Como exemplo negativo, integrantes do Planalto e da Fazenda citam o Perse, programa de apoio ao setor de eventos durante a pandemia, que acabou sendo ampliado para empresas de outros segmentos e se estendeu além do período emergencial.
Para evitar distorções, o presidente Lula orientou o ministro Haddad a realizar uma análise detalhada, “CNPJ por CNPJ”, para definir critérios claros sobre quais empresas devem ser contempladas.
Reação calibrada ao tarifaço
Integrantes do governo ressaltam a importância de apresentar uma resposta ao tarifaço, mas defendem que as ações sejam ajustadas conforme o andamento das negociações comerciais. Uma ala acredita que Donald Trump não conseguirá manter as tarifas sobre alimentos por muito tempo, devido ao impacto nos preços nos Estados Unidos. O pacote está sendo desenhado para permitir respostas rápidas caso o cenário se agrave e impactos de médio e longo prazo sejam sentidos na economia brasileira.