Política

TSE suspende propaganda eleitoral de Lula contra Flávio Bolsonaro

Decisão preliminar da ministra Estela Aranha tira propaganda do ar até julgamento no plenário do tribunal
propaganda eleitoral de Lula suspensa pelo TSE em disputa com Flávio Bolsonaro nas eleições 2026

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a propaganda eleitoral do presidente Lula (PT) que chama o candidato Flávio Bolsonaro (PL) de “funcionário fantasma” durante sua passagem pelo serviço público.

A decisão preliminar atendeu a um pedido do PL protocolado no sábado (29), mesmo dia em que a peça foi ao ar pelo horário eleitoral na TV, e vale até o plenário do TSE julgar o mérito do caso.

Currículo fabricado e associação a criminosos

Segundo a decisão, o trecho suspenso ultrapassa a crítica política legítima ao apresentar um suposto “currículo” do adversário, montado com aparência documental e associado a acusações graves. Aranha avalia que a potencialidade lesiva não decorre apenas das frases isoladas, mas da interação entre texto, imagem e contexto da propaganda.

A peça petista vincula Flávio Bolsonaro à relação com o miliciano Adriano da Nóbrega e a um suposto pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes bilionárias no Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse“.

Denúncia arquivada vira acusação distorcida

A ministra também identificou distorção ao tratar Flávio Bolsonaro como se estivesse hoje denunciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ela lembra que a denúncia contra o candidato foi arquivada, sem qualquer condenação, o que passa ao eleitor uma informação falsa sobre a situação atual do adversário.

A ação foi protocolada pelo PL no mesmo sábado (29) em que a propaganda estreou na TV, e a decisão de Aranha tem caráter provisório: cabe ao plenário do TSE julgar o mérito do pedido em sessão futura. Até lá, fica proibida a veiculação do trecho pelas emissoras que transmitem o horário eleitoral.

O g1 procurou as equipes de Lula e de Flávio Bolsonaro, mas nenhuma respondeu até a publicação da reportagem.

Não é a primeira vez que Aranha barra conteúdo sensível envolvendo o candidato do PL: em junho, a ministra já havia suspendido posts que associavam Flávio Bolsonaro ao crime organizado, mesma linha de raciocínio usada agora. O episódio se soma a uma disputa judicial entre PT e PL que já somou 59 representações no TSE nos primeiros meses de 2026, volume quatro vezes maior que no mesmo período de 2022.