A Polícia Federal apura suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o financiamento do filme Dark Horse, biografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O inquérito busca esclarecer se o senador solicitou ou recebeu vantagem indevida do banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, em razão do mandato — o que configuraria o crime do artigo 317 do Código Penal.
O que a Polícia Federal investiga
Em entrevista a Renata Vasconcellos e César Tralli nesta sexta-feira (28), Flávio Bolsonaro reafirmou que não houve irregularidade no episódio. Segundo ele, tratou-se de um patrocínio pedido a Vorcaro para bancar o projeto sobre o pai, sem qualquer transferência direta ao próprio senador.
Essa é a mesma versão apresentada pelo senador em maio, quando admitiu pela primeira vez ter pedido a Vorcaro o financiamento do filme sobre o pai — e que investigadores agora rechaçam como explicação suficiente para encerrar o caso.
Para a PF, o ponto central não é apenas se houve transferência direta ao senador, mas se existiu vantagem indevida solicitada ou recebida em razão da função pública, ainda que de forma indireta ou por terceiros, conforme descreve o artigo 317 do Código Penal sobre corrupção passiva.
Origem, entrega e destino do dinheiro
Um dos pontos que chamam atenção dos investigadores é o fato de Daniel Vorcaro não querer aparecer como patrocinador do filme. Some-se a isso a declaração do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, de que Flávio teria ido à casa do banqueiro buscar “o restante do dinheiro” — episódio que está sendo apurado pela PF desde maio.
Base legal e dimensão eleitoral
A apuração da PF tem respaldo formal desde julho, quando o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a abertura do inquérito sobre os repasses de Vorcaro ao filme. É essa autorização que permite à corporação aprofundar as apurações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso.
O episódio ganha contorno político porque Flávio Bolsonaro é pré-candidato do PL à Presidência da República, e as suspeitas recaem sobre um senador em exercício de mandato. Para investigadores, isso reforça a necessidade de esclarecer origem, circulação e destino final dos recursos usados no projeto, além do grau de participação direta do parlamentar nas tratativas com Vorcaro.