O dólar opera em queda nesta sexta-feira (28), recuando 0,05% por volta das 9h25 e cotado a R$ 5,1620, enquanto o mercado espera a abertura do Ibovespa, às 10h.
A sessão é guiada por três frentes: a queda do desemprego no Brasil a 5,3% no trimestre até julho, menor índice desde 2012; o segundo dia do simpósio do Federal Reserve, com o discurso de estreia de Kevin Warsh; e a queda do petróleo com sinais de reabertura do Estreito de Ormuz.
Emprego em alta e Fed sob pressão
No Brasil, o mercado repercute os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados um dia depois de o IBGE confirmar que a taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho — o menor patamar para esse período desde o início da série histórica, em 2012.
Nos Estados Unidos, o simpósio do Federal Reserve entra no segundo dia com atenção total ao primeiro discurso de Kevin Warsh à frente do banco central americano. Ele vem sendo cobrado a sinalizar com mais clareza sua leitura sobre a economia, sem antecipar os próximos passos da política monetária.
Petróleo em compasso de espera no Golfo Pérsico
No exterior, o petróleo opera em queda diante de indícios de que produtores do Golfo Pérsico conseguem escoar a produção pelo Estreito de Ormuz, ainda sem avanços confirmados nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Por volta das 9h10, o Brent recuava 0,29%, a US$ 89,42, e o WTI cedia 0,46%, a US$ 83,06 — bem abaixo dos US$ 116 registrados em março, quando um ataque a um petroleiro perto de Dubai chegou a bloquear o estreito, como mostrou o Tropiquim à época.
Wall Street sobe com Nvidia; Europa e Ásia têm sessão mista
Nesta quinta-feira (27), o petróleo chegou a avançar após recuo anterior, em meio à incerteza sobre as negociações entre Irã e Omã para definir as condições de navegação pelo Estreito de Ormuz. O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, foi a Teerã na tentativa de destravar o diálogo — o país atua como mediador informal entre Irã e EUA desde o cessar-fogo firmado em junho. As conversas envolvem um corredor marítimo temporário entre Irã e Omã e um projeto conjunto para retirar minas da hidrovia; a Guarda Revolucionária iraniana chegou a mencionar um acordo, mas uma fonte de alto escalão afirmou que os detalhes ainda estão sendo negociados.
Em Wall Street, os mercados fecharam em alta na quinta, impulsionados pela previsão de resultados da Nvidia, que reforçou a confiança dos investidores na demanda por inteligência artificial: o Dow Jones subiu 0,20%, o S&P 500 avançou 0,72% e o Nasdaq ganhou 1,57%. Na Europa, o Stoxx 600 caiu 0,72%, com Londres (-0,79%) e Paris (-1,68%) em queda e Frankfurt (+0,31%) na contramão. Na Ásia, Xangai (+1,13%) e Tóquio acompanharam o otimismo com a Nvidia, enquanto Hong Kong (-0,34%) destoou.
A trajetória cambial também reflete a evolução do noticiário no Oriente Médio: em abril, com o Estreito de Ormuz ainda fechado e a trégua recém-prorrogada, o dólar abria a R$ 4,96 — patamar bem acima do atual, como mostrou o Tropiquim na ocasião.