Negócios

J&F confirma ao Cade que aquisição da Avibras mira setores de defesa

Empresa não faturou em 2025 após recuperação judicial e greve de mais de três anos
Militares em formação com blindados e mísseis ao fundo, representando a J&F aquisição da Avibras no setor de defesa

A J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, comunicou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que a compra da Avibras é uma oportunidade de entrar nos setores de defesa nacional e aeroespacial.

O negócio, anunciado nesta sexta-feira (21), prevê a aquisição de 100% das ações da Nova AVB, controladora da Avibras, pela Globe Investimentos, veículo pessoal dos irmãos. O valor não foi revelado.

Uma história de crise, greve e reestruturação

A Avibras não registrou faturamento em 2025, segundo o processo enviado ao Cade. O ano foi marcado por crise financeira, recuperação judicial e por uma greve de funcionários que se estendeu por mais de três anos.

Durante a reorganização, a empresa criou a Nova AVB, estrutura que concentrou os ativos industriais e tecnológicos, enquanto a companhia original manteve os passivos ligados à recuperação judicial. A operação notificada ao Cade prevê a compra da totalidade das ações da Nova AVB — por isso é classificada como aquisição de controle.

Em maio de 2026, a unidade de Jacareí, no Vale do Paraíba, retomou as atividades. A busca por um novo controlador vinha desde agosto de 2025, quando a Avibras ainda tentava atrair investidores para conduzir a reestruturação.

Aporte de Joesley Batista antecedeu a compra

Antes de a J&F assumir o controle, Joesley Batista participou de uma captação de R$ 300 milhões destinada a viabilizar a retomada da Avibras. O financiamento foi coordenado pelo Fundo Brasil Crédito e reuniu investidores privados; o valor aportado individualmente por Joesley não foi divulgado.

Da mineração à defesa: nova aposta dos irmãos Batista

A J&F já atua em setores como alimentos, energia, mineração e serviços financeiros. Ao Cade, o grupo afirmou que a aquisição da Avibras deve contribuir para a reestruturação e o fortalecimento da indústria de defesa e aeroespacial no Brasil.

A Avibras fabrica o sistema ASTROS, usado pelo Exército Brasileiro, além do Míssil Tático de Cruzeiro, sistemas de defesa antiaérea e o Skyfire. A empresa também desenvolve motores-foguete e fornece equipamentos de propulsão para os centros de lançamento de Alcântara (MA) e da Barreira do Inferno (RN).

Após a retomada das atividades, a Avibras Aeroco foi credenciada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa, título que amplia o acesso a compras públicas.

Em julho, o presidente Lula visitou a fábrica em Jacareí e sinalizou a ampliação das encomendas governamentais, o que reforça o potencial comercial do negócio agora sob controle da J&F. A mudança de controle ainda depende da aprovação do Cade.

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