A americana USA Rare Earth informou nesta segunda-feira (24) que fechou a estrutura de capital necessária para comprar a Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil.
A empresa reuniu US$ 1,5 bilhão (R$ 7,7 bilhões) para a operação, dos quais US$ 750 milhões (R$ 3,8 bilhões) vieram do Departamento de Guerra dos Estados Unidos.
A conclusão do negócio ainda depende de uma assembleia de acionistas marcada para esta sexta-feira (28).
Do anúncio à corrida pelo capital
A aquisição da Serra Verde foi anunciada em abril, quando a USA Rare Earth concordou em pagar US$ 2,8 bilhões pela mineradora goiana — valor que incluía US$ 300 milhões em dinheiro e o restante em ações, conforme mostrou o Tropiquim à época. O objetivo era assegurar o fornecimento dos quatro elementos de terras raras magnéticas extraídos na mina de Pela Ema.
Quatro meses depois, a empresa americana anunciou ter fechado a estrutura de capital que faltava para bancar a compra. Do total de US$ 1,5 bilhão captado, metade veio do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, reforçando o caráter estratégico da operação para Washington.
Assembleia decide o próximo passo
O negócio ainda precisa passar pelo crivo dos acionistas da USA Rare Earth, que se reúnem nesta sexta-feira (28) para votar a operação. Só depois da assembleia a compra pode ser formalmente concluída.
Escrutínio regulatório no Brasil
A operação segue sob análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em maio, o órgão abriu procedimento formal para apurar se a compra da Serra Verde configura ato de concentração que deveria ter sido notificado antecipadamente pelas empresas envolvidas.
O desfecho da investigação pode interferir no cronograma da transação, mesmo que a assembleia de acionistas aprove o negócio nesta semana.
Por trás do interesse do governo americano está a disputa por minerais críticos com a China, hoje dominante na produção e no refino de terras raras — insumos essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. A entrada direta do Departamento de Guerra no financiamento da compra sinaliza que Washington trata o acesso a esses elementos como questão de segurança nacional, não apenas comercial.