Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury protagonizaram neste domingo (23), em São Paulo, o primeiro debate presidencial das eleições de 2026, promovido por Band, Jovem Pan, Gazeta e Estadão.
Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não compareceram ao evento, e os três púlpitos reservados a eles ficaram vazios durante toda a transmissão.
Diante da ausência dos favoritos nas pesquisas, os candidatos presentes transformaram os espaços vazios em munição política contra os rivais ausentes.
Propostas dos três candidatos presentes
Segurança pública e economia
Renan Santos defendeu decretar estado de defesa e usar operações de Garantia da Lei e da Ordem contra facções, além de construir “superpresídios” com até 500 mil vagas. Caiado prometeu tratar o crime organizado como organização terrorista, confiscar bens de criminosos e classificou o cenário atual como um “clima de guerra”. Na economia, o governador defendeu um “choque de credibilidade” para reduzir juros e levar a inflação à faixa de 3% a 4%.
Educação e ensino técnico
Augusto Cury criticou o modelo “cartesiano” das escolas brasileiras e propôs um currículo com empreendedorismo, gestão financeira e inclusão de neurodivergentes. Caiado, por sua vez, citou a experiência de Goiás na ampliação do ensino técnico em parceria com o Sistema S.
A estratégia de atacar simultaneamente os dois ausentes não era nova: desde o lançamento da candidatura em julho, Caiado já apostava na mira dupla contra Lula e Flávio, tática repetida no debate de domingo. Três semanas antes, em sabatina com empresários, o governador já citava mensalão e rachadinha para provocar os dois rivais ao mesmo tempo.
Por que os favoritos não compareceram
Lula já sinalizava desde a semana anterior que não participaria do debate; em julho, ao podcast Inteligência Ltda., disse que não compareceria a debates para “ouvir bobagem”. Flávio Bolsonaro condicionou sua presença à participação de Lula, e Romeu Zema desistiu poucas horas antes, alegando que o evento havia “perdido seu propósito” sem o presidente.
O tema também expôs a disputa do governo pela pauta da segurança: em maio, um pacote de R$ 11 bilhões contra o crime organizado lançado por Lula já havia sido criticado por especialistas pelo risco de politização eleitoral, cenário que se confirmou nas críticas do debate de domingo.
Bastidores tensos também marcaram a noite: Augusto Cury chegou a anunciar, em transmissão ao vivo, que não participaria por causa das ausências, mas voltou atrás minutos depois. Na porta da emissora, integrantes da Unidade Popular protestaram contra a exclusão da candidata Samara Martins da lista de convidados.