Política

Levantamento aponta 40 mil amostras de DNA sem identificação em IMLs do país

Ministério da Justiça monta cronograma com estados para incluir material genético em bancos de identificação
Palácio da Justiça, sede do Ministério responsável por organizar banco de amostras de DNA de desaparecidos no Brasil

Um levantamento do Ministério da Justiça identificou cerca de 40 mil amostras de DNA de corpos não identificados espalhadas por Institutos Médico Legais (IML) de todo o Brasil, ainda fora dos bancos genéticos usados para localizar familiares de pessoas desaparecidas.

O dado foi divulgado nesta semana pela técnica Simone de Jesus, da Coordenação de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, durante o anúncio da 4ª mobilização nacional que busca ampliar a doação de material genético por parentes de desaparecidos.

Amostras ainda não processadas

Segundo a Coordenação, ligada ao Ministério da Justiça, as cerca de 40 mil amostras identificadas no levantamento ainda passarão por análise e confirmação. Só depois será montado, junto aos estados, um cronograma para processar esse material e incorporá-lo aos bancos de DNA usados na busca por desaparecidos.

A coleta de material genético é feita normalmente por laboratórios das polícias civis estaduais. O DNA doado por familiares é comparado com as amostras de corpos não identificados guardadas nos bancos, na tentativa de fechar a identificação.

Volume de casos no país

De acordo com Simone de Jesus, o Brasil registra cerca de 80 mil boletins de ocorrência de desaparecimento por ano. Atualmente, os bancos de DNA do país reúnem 14.139 amostras de corpos sem identificação e o material genético de 10.574 pessoas que buscam parentes desaparecidos.

O tema já havia motivado uma ação anterior da pasta: em agosto de 2025, o Ministério da Justiça lançou o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, que unificou automaticamente mais de 86 mil casos de 12 estados — mas os bancos de DNA, como mostra o novo levantamento, seguem com lacunas expressivas.

A 4ª edição da mobilização nacional tem como meta estimular mais familiares a doar material genético, ampliando a base de comparação e, por consequência, a chance de identificação de corpos que hoje permanecem sem nome nos IMLs.

O cruzamento de perfis genéticos já resultou na identificação de 815 pessoas no país. Desse total, 112 identificações ocorreram a partir de coletas feitas durante as mobilizações realizadas em 2024 e 2025, o que reforça o peso das campanhas periódicas no resultado final.

Com a inclusão gradual das 40 mil amostras hoje fora do sistema, a expectativa da Coordenação é que o cronograma a ser definido com os estados amplie significativamente a capacidade de resposta a famílias que buscam informações sobre parentes desaparecidos.

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