O ex-governador de Goiás e candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta terça-feira (4), durante sabatina em São Paulo, que nunca teve o nome ligado a casos de corrupção.
Diante de plateia de empresários, ele citou o mensalão e a rachadinha — escândalos que atingem PT e PL — para provocar os adversários Lula e Flávio Bolsonaro.
Provocação a Lula e Flávio Bolsonaro
Na sabatina promovida pelo portal O Antagonista e pela empresa G4, na zona oeste de São Paulo, Caiado questionou a plateia: “Já me viram envolvido com rachadinha? Mensalão? Alguma coisa que toque a moral e a integridade?”
A frase remeteu ao mensalão, revelado no primeiro governo Lula, e à rachadinha atribuída a Flávio Bolsonaro, cuja denúncia foi anulada depois que a Justiça invalidou as provas que sustentavam a acusação. O padrão não é novo: na convenção do PSD em julho, ao oficializar a candidatura, Caiado já havia evocado o mensalão e o escândalo do banco Master para atacar PT e PL simultaneamente, como mostrou o Tropiquim ao cobrir o lançamento da candidatura.
Depois da sabatina, o candidato comentou as investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, suspeito de tráfico de influência na Dataprev. “O escândalo do príncipe já chegou na antessala do rei”, disse a jornalistas. Em 1º de agosto, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a Polícia Federal a investigar Lulinha por tráfico de influência e corrupção, e nesta terça-feira a Corte abriu uma terceira apuração contra ele. A defesa nega irregularidades.
Propostas de segurança e disputa com rivais
Durante a entrevista, Caiado defendeu pautas mais duras para a segurança pública, repetiu que o governo Lula é “conivente com o narcotráfico” e se declarou favorável à redução da maioridade penal. Também prometeu conceder indulto aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
O evento reuniu ainda os ex-governadores Romeu Zema (Novo-MG) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), além do presidente do partido Missão, Renan Santos, em sabatinas individuais conduzidas por Wilson Lima, chefe da sucursal de O Antagonista em Brasília. Lula foi convidado, mas não compareceu.
A rivalidade com o senador do PL já vinha se acirrando: na véspera, Caiado havia disputado o voto do agronegócio ao se dizer “a raiz” do setor, sinalizando que o confronto com Flávio Bolsonaro seria tema central da semana de campanha. Do lado do PT, as investigações contra Lulinha citadas por Caiado ganharam força nos dias anteriores: aliados do presidente tentaram, no domingo, minimizar o impacto eleitoral dos inquéritos abertos pela PF por tráfico de influência.