O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado discursou neste domingo (26) na convenção do PSD em São Paulo, oficializando sua candidatura à Presidência da República ao lado do vice Gilberto Kassab.
No primeiro pronunciamento como candidato, ele mirou simultaneamente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), citando os altos índices de rejeição dos dois e escândalos de corrupção que os envolvem.
Rejeição recorde dos dois principais rivais
Caiado citou dados do Datafolha de sexta-feira (24): Flávio Bolsonaro tem 48% de rejeição e Lula, 46%. Apesar disso, a corrida ainda é liderada por Lula, com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio, com 32%, e o próprio Caiado, com 4%.
As críticas a Flávio foram feitas de forma indireta, sem citar o nome do candidato do PL — em um momento, Caiado o comparou a um “frango de granja”. Já contra Lula, o discurso foi direto, associando o petista a episódios de corrupção e a uma suposta escolha estratégica do adversário para o segundo turno.
O ex-governador também comentou a vinda do presidente argentino Javier Milei ao Brasil neste sábado (25), quando ele participou da convenção do PL que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, dizendo que o Brasil não pode aceitar interferências externas nem “bravatas” de fora.
Caiado reforçou o discurso anticorrupção ao relembrar o mensalão do PT e o caso do banco Master, escândalo que atingiu Flávio Bolsonaro em maio, quando um áudio revelou o candidato do PL chamando o ex-banqueiro Daniel Vorcado de “irmão” e pedindo recursos para financiar o filme Dark Horse, biografia de Jair Bolsonaro.
A chapa com Kassab também apareceu no discurso: os dois oficializaram a parceria em julho, e a candidatura é formada inteiramente pelo PSD, sem coligações, como já mostrou a reportagem sobre Caiado fechando chapa com Kassab e a aposta na terceira via para 2026.
Não é a primeira vez que o candidato do PSD ataca Lula e Flávio ao mesmo tempo: em julho, como relatado em outro episódio da disputa pelo tarifaço americano, Caiado já havia acusado Lula de provocar Donald Trump por cálculo eleitoral e criticado o pedido de Flávio para adiar as tarifas dos EUA.
