A Avibras Aeroco — nova identidade da antiga Avibras Indústria Aeroespacial — foi reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED). A portaria foi assinada pelo ministro José Mucio Monteiro Filho e publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (27).
O credenciamento coloca a fabricante de Jacareí, no interior paulista, na lista oficial de empresas consideradas críticas para a soberania e a segurança nacional brasileira.
A distinção chega semanas após a empresa retomar as atividades, em 4 de maio, encerrando mais de três anos de paralisação marcados por uma greve histórica de aproximadamente 1.280 dias.
O que muda com o credenciamento
A classificação como Empresa Estratégica de Defesa é concedida pelo Ministério da Defesa e funciona como um selo que reconhece tecnologia e capacidade consideradas críticas ao país. Na prática, abre às credenciadas o acesso a compras públicas direcionadas, programas estratégicos e incentivos à inovação no setor de defesa.
A Avibras Aeroco integra agora a Base Industrial de Defesa brasileira, conjunto de empresas tidas como essenciais para o desenvolvimento científico, tecnológico e operacional das Forças Armadas. “As Empresas Estratégicas de Defesa desempenham papel relevante no desenvolvimento científico e tecnológico do país, além de contribuírem para a preservação da segurança e da defesa nacional diante de ameaças externas”, informou a companhia em nota.
Da greve histórica à retomada das operações
A paralisação dos trabalhadores teve início em setembro de 2022, motivada pelo não pagamento de salários, e se estendeu por cerca de 1.280 dias — uma das greves mais longas registradas no Brasil. A empresa voltou a operar em 4 de maio deste ano, após acordo firmado com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região para a quitação das dívidas trabalhistas.
Com a retomada, a companhia adotou a nova denominação Avibras Aeroco e iniciou a reintegração gradual dos funcionários às atividades produtivas em Jacareí, encerrando um dos episódios mais graves da história recente da indústria de defesa nacional.
À frente do novo ciclo está Sami Hassuani, que retornou à presidência da Avibras Aeroco — cargo que já havia ocupado em gestões anteriores. A empresa declarou como prioridade estratégica o crescimento sustentável e a expansão para novos mercados globais, colocando-se no radar da indústria de defesa internacional.
Em nota, a direção afirmou que o credenciamento “evidencia a relevância da empresa para a Base Industrial de Defesa brasileira e para o fortalecimento da soberania nacional” e representa “mais um avanço na consolidação” da companhia no desenvolvimento de soluções estratégicas voltadas ao setor aeroespacial e de defesa.
O Ministério da Defesa não havia respondido, até o fechamento desta edição, a questionamentos sobre os critérios utilizados para a concessão do credenciamento e os impactos práticos da classificação como empresa estratégica.
